Posts Tagged ‘irã’

h1

todo dia ela faz tudo sempre igual…

julho 8, 2009

“Being a woman in Iran is hard, and working as a woman photographer is even harder”.

Shadi Ghadirian, 35, trabalha e vive em Teerã como fotógrafa. No Irã, o exercício da profissão é submetido a um rígido código e sua não obediência custa o expurgo da vida profissional. Shadi não pode registrar, por exemplo, o cabelo das mulheres, nem mostrar mulheres em contato físico com homens. Por ser mulher, também não pode viajar sozinha, muito menos hospedar-se em um quarto de hotel desacompanhada do marido.

Em entrevista ao Telegraph, em 2007, conta como driblou as regras pra fazer sua arte política feminista. As fotos abaixo são da série “Like Everyday”, em que ela registrou os tradicionais véus acompanhados de objetos domésticos. O registro é o da dupla submissão: à sharia e aos homens.

shadi_ghadirian_like_everyday_yellow_gloveshadi_ghadirian_like_everyday_cleavershadi_ghadirian_like_everyday_ironshadi_ghadirian_like_everyday_grater

Fotos da Saatchi Gallery. mais, na Bravo! deste mês.

Anúncios
h1

a grama do vizinho é sempre mais verde (ou é dos importados que eles gostam mais)

junho 19, 2009

Se tem uma coisa que eu nunca vou entender, nem respeitar, são as pessoas que veem revoluções, greves, marchas, protestos e etc. na TV e acham bonito porque é lá fora.

Aqui, quando as pessoas saem às ruas, o olhar torto e enviesado é o primeiro a aparecer. Greve não pode. Paralisação não pode. Marcha na Paulista não pode. Ato na Assembleia Legislativa não pode. Não pode, não pode, não pode. A opinião não é geral, mas é generalizada. E quando a vida se pacifica, a primeira coisa que você ouve nas “conversas de bar” é: o problema desse país é que a gente não tem cultura política.

A sentença, além de homogeneizar os já não sei quantos milhões de habitantes deste país em um só tipo de comportamento (o apolítico), leva ao conformismo. Como se nada pudesse ser feito porque não há forças sociais existentes ou suficientes para protestar contra isso ou aquilo. O uso inverso da sentença (lá fora as coisas funcionam porque eles têm cultura política) nos revela o problema: por acaso as greves e os protestos de rua na França contra as reformas do Sarkozy, por exemplo, foram consensuais? É como se as barricadas de 1968 desmentissem o seu nome e dissessem: aqui não há conflito.

Política é conflito (de ideias, de opiniões). É queda-de-braço. É tentar convencer o outro a rever sua posição e sua compreensão sobre o mundo. Política é disputa de poder. Se vivemos em uma sociedade em que uns mandam mais e outros menos – e em que o Estado tem o monopólio da força – como tentar convencer o outro a rever seu posicionamento? Manifestando seu desconforto, não?

Se lá fora isso vale e é bonito de ser ver, não entendo porque aqui não pode ser. O princípio do protesto é a existência de posições em desacordo. E isso também vale para o nosso país. Essa ideia de que nossa sociedade é apolítica, acrítica e que só se reúne em massa em bloco de carnaval é falsa e injusta. Assim, fica fácil ter uma verdade pronta pra encerrar uma conversa de elevador – “é por isso que esse país não vai pra frente” -, chegar em casa, ligar a TV e ficar feliz porque as pessoas saíram às ruas no Irã para protestar contra uma eleição que consideram ilegítima. Aqui, não tem jeito mesmo. Então, tudo bem o Collor estar de volta à vida política. Tudo bem…