Archive for junho \30\UTC 2009

h1

arnaldo, me dá um abraço?

junho 30, 2009

Em janeiro de 2007, mandei o e-mail mais sem contexto de toda a minha vida para um grupo de amigos meus: “por favor, não usem LSD!”. Ninguém entendeu nada, lógico, mas eu estava realmente preocupada que alguém entrasse em uma viagem da qual nunca mais conseguisse voltar.

Tinha terminado de ler, naquele mesmo dia, a biografia não-autorizada dos Mutantes (“A Divina Comédia dos Mutantes”, do Carlos Calado), e esse era o meu diagnóstico sobre o fim da banda e a decadência em que Arnaldo Baptista entrou. Uma colega nossa tinha acabado de passar por essa experiência – a da viagem nunca mais interrompida após o uso do ácido – e fiquei desolada com a viagem sem volta do cara mais genial da tropicália. Apesar de, ou até por causa disso, estava crazy in love pelo Arnaldo Baptista. Queria pegar o primeiro ônibus pra Juíz de Fora, baixar na casa dele e dizer: “Dê cá um abraço!”. Não o fiz (ufa!), mas confesso que me encantei com os desenhos que ele faz como forma de terapia e acabei comprando um. Não me arrependo.
desenho_017

Neste final de semana, ao ver Loki, não pude deixar de me emocionar mais uma vez com sua história e quase mandei outro e-mail coletivo – mas, dessa vez, com outros dizeres “não tenham medo de viver!”. Saí da sala de cinema a ponto de comprar mais um desenho do Arnaldo – um jeitinho que encontrei de dar o tão desejado abraço.

O que me comove em sua história é a intensidade com a qual ele sempre procurou viver. Sempre adimirei as pessoas que dão um salto no escuro, confiando que não há motivos pra ter medo do desconhecido. A história dele é a história de um romântico incondicional, que, como tal, experimentou tanto os gozos quanto as dores do mundo num mergulho vertical. Arriscou-se de peito aberto. Em tempos em que a tendência é a de se proteger da vida, suas mazelas e benésses, não posso deixar de achar isso bonito e admirável. Arnaldo Baptista tentou ser feliz de todas as maneiras.

h1

vida de frila

junho 25, 2009

Estou lendo uma série de artigos de Ursula Huws reunidos no livro “The Making of a Cybertariat: Virtual Work in a Real World”. Feminista, a moça problematiza o papel das mulheres  na III Revolução Tecno-científica (empregos sim, mas precários) lá nos idos de 1970, entre otras cositas más.

O que quero destacar, no entanto, é o desabafo que ela registrou na introdução do livro. Um desabafo que dialoga com a geração 20 e poucos anos – a minha, a sua, a nossa!

Huws passou grande parte de sua vida fazendo bicos. Trabalhava como pesquisadora freelancer para ONG’s, órgãos do governo britânico, instituições de movimentos sociais etc. Foi a partir desses trabalhos, ou apesar deles, que ela escreveu os artigos que estão no livro. Huws dá seu testemunho e analisa essa relação de trabalho. Eu fecho com ela:

“The self-employed are often envied by those in more traditional employment for our apparent freedom from life in the rut. Instead of an orderly development from one research project to the next, we seem to flit, butterfly-like, from one subject to another. We can follow the scent of an interesting thought trail without bumping up against the barriers of an academic discipline, or the remit of a job description. But the other side of the freelance coin is a state of permanent insencurity. The freedom to take on what work you like is modified by what is available; the freedom to write what you like is modified by what the client will accept; and the freedom for mental exploration is restricted by the time available. When you have enough work, you have no time; when you have time, you have no money”.

cartoon, daqui (eu procuro, tu procuras, ele procura, certo?).

h1

ah, l'amour!

junho 23, 2009

animação de julia pott, que encontrei no açucarado Le Love.

h1

desenguiço

junho 22, 2009

posterpublicproject

às vezes a vida acerta o tom e dá vontade de preencher o formulário de satisfação do cliente só pra agradecer. ótimo atendimento. ótima qualidade. pra completar, só faltava ter um SAC e uma linha direta com a assistência técnica da felicidade. e sem rebites.

foto do poster public project.

h1

a grama do vizinho é sempre mais verde (ou é dos importados que eles gostam mais)

junho 19, 2009

Se tem uma coisa que eu nunca vou entender, nem respeitar, são as pessoas que veem revoluções, greves, marchas, protestos e etc. na TV e acham bonito porque é lá fora.

Aqui, quando as pessoas saem às ruas, o olhar torto e enviesado é o primeiro a aparecer. Greve não pode. Paralisação não pode. Marcha na Paulista não pode. Ato na Assembleia Legislativa não pode. Não pode, não pode, não pode. A opinião não é geral, mas é generalizada. E quando a vida se pacifica, a primeira coisa que você ouve nas “conversas de bar” é: o problema desse país é que a gente não tem cultura política.

A sentença, além de homogeneizar os já não sei quantos milhões de habitantes deste país em um só tipo de comportamento (o apolítico), leva ao conformismo. Como se nada pudesse ser feito porque não há forças sociais existentes ou suficientes para protestar contra isso ou aquilo. O uso inverso da sentença (lá fora as coisas funcionam porque eles têm cultura política) nos revela o problema: por acaso as greves e os protestos de rua na França contra as reformas do Sarkozy, por exemplo, foram consensuais? É como se as barricadas de 1968 desmentissem o seu nome e dissessem: aqui não há conflito.

Política é conflito (de ideias, de opiniões). É queda-de-braço. É tentar convencer o outro a rever sua posição e sua compreensão sobre o mundo. Política é disputa de poder. Se vivemos em uma sociedade em que uns mandam mais e outros menos – e em que o Estado tem o monopólio da força – como tentar convencer o outro a rever seu posicionamento? Manifestando seu desconforto, não?

Se lá fora isso vale e é bonito de ser ver, não entendo porque aqui não pode ser. O princípio do protesto é a existência de posições em desacordo. E isso também vale para o nosso país. Essa ideia de que nossa sociedade é apolítica, acrítica e que só se reúne em massa em bloco de carnaval é falsa e injusta. Assim, fica fácil ter uma verdade pronta pra encerrar uma conversa de elevador – “é por isso que esse país não vai pra frente” -, chegar em casa, ligar a TV e ficar feliz porque as pessoas saíram às ruas no Irã para protestar contra uma eleição que consideram ilegítima. Aqui, não tem jeito mesmo. Então, tudo bem o Collor estar de volta à vida política. Tudo bem…

h1

de casa nova

junho 16, 2009

Gelere,

Mudei de pra cá e agora vou daqui pra lá.

tô de casa nova, com vizinhos novos, mas os móveis continuam os mesmos!

a partir de hoje, me leiam lá: http://www.anivelde.org/pesdeamora

h1

Olá, a nível de!

junho 15, 2009

pra livrar os vizinhos de condomínio de qualquer responsabilidade sobre o conteúdo deste blog, vale um aviso: tudo o que está neste pé de amora, nasceu deste pé de amora.

a imagem é daqui.