Posts Tagged ‘saudades’

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partidas

agosto 19, 2010

e aí você descobre que começou a se despedir quando senta em um banco, em southbank, e acha graça nos artistas de rua, pela primeira vez. fotografa casais apaixonados e crianças correndo sob a luz de um quase outono. e não reclama da chuva constante e do frio disfarçado. você descobre que começa a se despedir quando acha puffy pastry uma delícia e, apesar de ter comido raras vezes, diz que vai sentir muita falta. e vai sentir muita falta da cidra e do pint disponíveis em qualquer esquina, ao lado da biblioteca, ao lado de casa. e quer comer o último yorkshire pudding com o gravy sem gosto mais gostoso feito da ale mais saborosa. e quer comprar livros de culinária de délia, a ofélia da bbc, pra mostrar pros amigos do lado de lá o que eles perderam de ter comido no mcdonald’s e ao invés de terem experimentado uma traditional pub food. e você se pega querendo levar oxo cubs, quando passou sua temporada inteira em londres sonhando em ter caldo maggi. e você se pega se lamentando de ter morado a quatro quadras do british museum e não ter conhecido ele todo. e começa a comprar as coisas que odeia ver os turistas comprando. e começa a odiar os turistas que não estavam aqui no inverno, mas lotaram a cidade no verão só pra não deixar a gente se despedir direito e ter que pegar fila, pela primeira vez, para entrar no museu de história natural. dói ir embora de casa. dói partir…

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find the venue you never knew existed

agosto 6, 2010

sou fã de britpop, mas quando vi The Joy Formidable pela primeira vez, não gostei lá muito (ok, era show do paul mccartney e eu queria mesmo era ver ele cantando umas 5 horas). é legal conhecer uma banda nova do país de gales. ainda mais com menina cantando, cheia de atitude. mas a verdade é que achei o som monótono. mas vá lá. é a banda do momento e eu tinha que contar pra vocês. além do que, eles fazem propaganda do meu novo vício: Kopparberg Cider.

pois é. nada de cerveja no verão. a moda é beber muita cidra, de todos os sabores e com muito gelo. e, ah, como vou sentir falta da minha cidrinha on the rocks em terras tupiniquins. como vou…

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conto de fadas

janeiro 5, 2010

nesse meu primeiro mês aprendi que as moedas de 2 p não valem mais que as de 1 pound, mas são muito preciosas. descobri que eu não levo mesmo jeito pra ser elegante em camadas, mas continuo tentando. percebi que vai ser difícil viver ser as manchetes preciosas do evening standard – que some nos finais de semana e feriados, mas que é de graça, afinal. fiz o primeiro feijão da minha vida, em forma de tutu, e venci o desafio culinário que havia me imposto “só cozinha bem quem sabe fazer bom feijão”. mas pude sentir os efeitos colaterais crescentes dessa massa marrom no meu corpo e compreendi que feijão não é coisa pra se comer todo dia se se quer ter um manequim 40 (ok, 38, já desisti de você há muito tempo). vi pela primeira vez a neve, mas não pude fazer dela boneco. mas a descoberta não comprometeu meu conhecimento experimental: depois da neve, se sair sol, não se engane, otário, vai estar um frio do caralho. minhas botas de camurça molham. e quando eu coloco as galochas, não chove nem neva. ainda não descobri se calço 6 ou 5 (ou seria 5,5?), mas pouco me importa. com tanta meia no pé, quem sabe qual é o real tamanho do sapato de inverno? já parei de chamar as meninas que andam de meia-calça e mini-saia de piriguetes e desfilei algumas vezes de meia-de-lã (toda chica latina sente muito frio) e saião. descobri que não posso lavar roupa na mão com sabão em pó (cortei todos os meus dedinhos. e nesse frio, rapaz, dói). e estou viciada nos basics do sainsbury e nos vidros de tikka masala de qualquer marca. aprendi a cozinhar no cooktop e caí no trote do alarme de incêndio duas vezes. não posso mais viver os invernos que virão sem um aquecedor. não posso mais viver sem as gadgets do lar da argos (como assim, uma batederia por 3 libras?!). ainda não bebi a minha guiness (vê se pode?), mas já me empanturrei de Cerveja de Trigo, de Stella Artois e de Carlberg (the best lager ever). na segunda começo a belly dancing. na quarta retomo a yoga. e depois, bem, depois, é a saudade. saudade dessa vida daqui, que me faz querer ficar pra sempre acordando tarde e dormindo cedo. saudade dessa cama que a gente guarda dentro do armário e da faxina que a gente adia pra escrever trabalho. saudade dessa escrivaninha compartilhada, desse calorzinho bom ao meu lado 24h,7 dias por semana. saudades… =)

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sou eu assim sem você

outubro 12, 2009

always Le Love

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da saudade

agosto 26, 2009

o coração é egoísta. quer viver tudo agora. reclama que a gente se esconde em burocracias, contas, arrumações, afazeres mil, compromissos inadiáveis, importâncias sem sentido e nisso e naquilo que é do dia-a-dia e que deixa a gente assim, tão distantes dos sentimentos. no silêncio, na ausência, na calma, a gente se dá conta do desperdício. do tempo vertido em desprazeres. o coração reclama porque não aguenta mais adiamentos sem reposições nem separações programadas. quer viver seu egoísmo e não lhe tiro a razão. fosse eu só sentimento, dedicaria todo o meu tempo a não sentir tanta saudade…

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do que permanece

maio 18, 2009

“Ay del sueño”

 

Ay del sueño

si sobrevivo es ya borrándome

ya desconfiado y permanente

y tantas veces me hundo y sueño

muslo a tu muslo

boca a tu boca

nunca sabré quién sos

 

ahora que estoy insomne

como un sagrado

y permanezco

quiero morrir de siesta

muslo a tu muslo

boca a tu boca

para saber quién sos

 

Ay del sueño

con esta poca alma a destajo

soñar a nado tiernamente

así me llamem permanezco

muslo a tu muslo

boca a tu boca

quiero quedarme en vos

(Mário Benedetti, Geografías).