Posts Tagged ‘greve’

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fora serra e fora suely!

junho 10, 2009

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é muito difícil viver em coletivo, mas mais difícil ainda é ficar calada frente à violência ocorrida ontem na usp. a culpa não é da polícia. é de quem a chamou para dispersar um protesto pacífico e de quem comanda a PM, ou seja, os responsáveis pela praça de guerra dentro da universidade ontem são a reitora Suely Vilela e o governador José Serra. ele, excusou-se das responsabilidades. ela, também.

o fato é que o professorado que compõe a usp lutou, anos atrás, para que a “ocupação” da PM (engraçado como agora as pessoas não usam a palavra invasão, não é?) nunca mais acontecesse. eles estão envergonhados, entristecidos, revoltados e comovidos pelas cenas que assistiram ontem. alguns deles estavam reunidos ontem no vão da FFLCH, onde realizavam uma assembleia, e puderam recordar, de perto, de um tempo em que eram fichados no Dops por panfletar no bandeijão contra a ditadura: receberam uma bomba imoral de presente da polícia. os professores da usp estão em greve. os da unicamp, também. pedem a cabeça da reitora e o fim da invasão da polícia no campus. é pouco. deveriam pedir também a cabeça do governador. a responsabilidade é dos dois. fecharam as negociações e chamaram a polícia. e eu ainda tenho que aguentar o Datena dizendo que estudante não deveria protestar. deveria chamar o governador pra conversar. e ele quis, carapálida?

ps: a foto é do álbum usp sitiada do Picassa, que está registrando a invasão da PM no campus da USP.

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de greves e prozacs

junho 9, 2009

greve é isso: há os que entram em depressão e há os que fazem da tristeza algo propositivo. eu oscilo. vomita-se números, projetos de leis que nos tocam de maneira negativa, histórias de vitórias e de fracassos passados, experiências pessoais nessa ou naquela manifestação/ocupação/etc. disputa-se de quem é a postura mais vanguardista, mais equilibrada, mais conservadora, mais aglutinadora. discorda-se de tudo para concordar depois, com outras palavras. e ninguém, nunca, chega a um acordo. “o dissenso é o coração da democracia”, grita alguém. chovem trocas de acusações, os hormônios pulsam, as vozes se exaltam, o frio chega, o sol se vai e alguém retoma aristóteles para dizer que assembleia só funciona com poucos. com muitos, não dá. aí não dá pra tomar decisão aqui nem ali. mas tem que tomar. e marca-se uma nova data pra discutir o que já foi discutido e decidido, que é para as pessoas terem tempo de repensar e mudar de opinião. serem convencidas. ostensivamente convencidas. criam comitês disso e daquilo pra descentralizar as decisões, mas a gente só pode decidir em assembleia – aquela que não funciona. e a gente protela. protela. protela. e só fica cada vez mais triste, mais impaciente, mais certo de que o futuro é tenebroso. e as pessoas voltam para casa e continuam a trabalhar em silêncio. trocam as assembleias, os fóruns, as reuniões, os comitês, as comissões, as ações diretas, pelo conforto da solidão. porque é difícil, muito difícil, viver em coletivo.