Archive for dezembro \27\UTC 2009

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A real Boxing Day

dezembro 27, 2009

Grandes expectativas para o Boxing Day. Aqui, um dia depois do Natal, as lojas descem seus estoques e fazem uma grande liquidação. Foi num dia desses que uma pessoa morreu pisoteada no ano passado, nos States. E a gente, é claro, não poderia perder uma oportunidade dessas: a de fazer uma participação observante assistindo e sentindo (ai! larga o meu casaco! eu vi primeiro!) a turba do consumo enfurecida pela Oxford Street  (tradicional rua de compras melhor custo-benefício do centro de Londres), e, é claro, aproveitamos para fazer umas comprinhas também.

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Como disse um amigo nosso daqui do IH, se existe o inferno, ele está cheio de blusinhas a 2 libras…

O problema todo foi que apesar dos tênis da puma por 20 ou 30 libras e das calças Calvin Klein a 10, não há loja melhor custo-benefício que a Primark. E eu, seduzida pela possibilidade de comprar muito por muito pouco, acabei deixando minhas ambições de consumo para essa última lojinha. O problema é que a Primark fica no último quarteirão da Oxford e, durante as 4h de caminhada e entra-e-sai das outras lojas, quando lá cheguei, pedi arrego. Liguei o piloto automático das compras e perdi a capacidade de encontrar grandes ofertas entre um mundo de pessoas disputando as peças da arara. Fui vencida pelo cansaço e pela claustrofobia e voltei pra casa com um casaco e três blusinhas.

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enquanto eu contava as moedinhas, a galere fazia fila pra comprar cristal

Mas o que eu ainda não tinha contado para vocês é que vivi um verdadeiro Boxing Day. Tradicionalmente, as famílias mais abastadas saíam presenteando a ralé no dia 26. Alguns chamam isso de espírito de Natal, mas eu chamo de culpa social. Investida dessa culpa, Madame Victoria, todo dia 26 de dezembro, sempre levava uma caixona de presentes e distribuía na perifa. Daí o Boxing, do Boxing Day.

Pois bem. Um pouquinho antes, no dia 23, fui jogar o lixo fora quando me deparei com uma sacola sortida de roupas e sapatos de menina. Tudo do meu tamanho. No hubo dudas: me apropriei da limpeza de armário da vizinhança, botei tudo na máquina de lavar e agora tô desfilando minha cashmerie novinha e cheirosa da Zara. Partilho com vocês o aprendizado da vez: o verdadeiro espírito do boxing day é partilhar com os pobres. Querendo contribuir, me manda um e-mail que eu passo meu endereço pra receber as doações ;)

my boxinjg day

minha box collection =)

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Os peladões do Canal 4

dezembro 23, 2009

A televisão é uma das melhores formas de se entender o way-of-living dos nativos. A grade de programação dos domingos brasileiros dos anos 90, por exemplo, nos diz muito sobre as concepções de gênero que informavam nossa société d’entonces. Quem é que não se lembra da banheira do Gugu, da prova da camiseta molhada, do cumpadí Wanshington cantarolando “Quebra, ordinária!”, da abertura do Fantástico etc? Pânico e baixarias como essa à parte, Lei Maria da Penha veio com tudo pra esconder essa objetificação das mulheres no espaço da casa, do trabalho, da internet e da Rede TV! (né, hipócritas!?).

Até ontem a noite, ainda não tinha assistido nada da TV inglesa. Só havia confirmado que o Rowan Atinkson é mesmo uma grande estrela dessa nação. (Vira-e-mexe sai notinha no jornal dizendo que ele deu uma de Mr. Bean na vida real. Outro dia, por exemplo, saiu uma notinha dizendo que o  motor do carro dele pegou fogo na rua, quando ele ía para uma premiê, e causou um fuzuê).

Mas eis que nossos vizinhos, dani e vinícius, nos presentearam com a referência de uma pérola televisiva ontem a noite: “How to look good naked”. A idéia do reality não é fazer a pessoa perder 50 Kg em um mês, como no “The Biggest Loser” ou passar por 459 cirurgias plásticas e ficar irreconhecível, como no “The Swan”. Eles pretendem, simplesmente, que a pessoa passe a amar o seu corpo do jeito que ele é. E o ápice da história é a realização de um ensaio sensual e um desfile peladão na frente da família toda e de um público que encheria o maracanãzinho.

Para um país em que não se pode importar ponografia – nem produzi-la se seu cunho sócio-cultural não for justificado -, a idéia de alguém desfilar peladão no meio de um shopping center pareceria surreal. Mas ela tá aí, no Canal 4, entretendo a geral. Na abertura, uma menina de costas exibe um pedaço do seu seio e da sua bunda, ao descer a única peça que a veste: uma calcinha. Sensacional. Isso, no Brasil, só no Superpop ou no Multishow pós-meia-noite.

Para vocês se divertirem (será que o vídeo abre aí?), o episódio que assistimos ontem a noite, da senhorinha de 72 anos que pagou peitinho em rede nacional, está neste link.

Unfortunately, eles não me permitem upar o vídeo aqui =(

Have fun, mates!

Em tempo: é. o vídeo não abre no Brasil. uma pena, minha gente… =(

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só para meninas

dezembro 16, 2009

Sou muito fashion disaster quando se trata de se vestir por volta de zero graus. Ainda não experimentei o glamour de abrir o casaco e oferecer ao público pagante uma visão um pouco menos “roupas de Monte Sião” do inverno passado. Nada contra as cacharréis de lã de várias cores que tanto me aquecem. Mas preciso aprender que a vida das roupas em camadas pode ir muito além da blusa da faxina escondida por debaixo da blusa de gola alta. O problema é que quando você sai na rua assim e eventualmente entra num Pub, você não sabe o que é pior: ficar com a blusa de gola alta e deixar a da faxina aparecendo por baixo, alertando o mundo para o seu desleixo, ou deixar-se ficar com o casaco para pagar de gatinha e suar bicas.

Pois bem, a vida em camadas está me rendendo uma lição e me obrigando a fazer uma promessa de ano novo. Uma tia minha sempre conta que a mãe só se veste com lingerie bonita até pra ir fazer a feira. Ela diz “nunca se sabe se vamos passar mal. Vai que a gente vai parar no hospital e o médico vê a gente com a calcinha furada e o sutiã puído? Imagina que vergonha?”. Por aqui, vou adotar a máxima dessa sábia senhoura para as camadas expandidas. A partir de hoje, prometo me vestir com roupas bonitas para as eventuais desmontagens do equipamento de aquecimento montado sobre meu corpo. Porque visto C&A, Renner e Primark, mas arroto Burberry.

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Go ahead, be gone with it

dezembro 11, 2009

Quando você entra em um lugar que toca Justin Timberlake em um volume de balada, você pensa que entrou em uma loja de roupas descoladas low price ou que errou o caminho e foi parar no apê do Latino (rá!). Mas como a onda aqui é subverter, o ex-namorado da ex-musa do pop (o mundinho Caras segue o conceito do Fast Fashion: uma tendência nova a cada semana) é trilha sonora de banco. Sim, de banco. Hoje, no National Bank, Leandro e eu ouvimos Justin, Rihanna e Lady Gaga enquanto esperávamos para ser atendidos. Quase fiz a @tuttyupie na Loca, mas faltou o álcool. Por isso, daqui em diante, quando alguém me perguntar sobre o meu projeto de vida, vou dizer que  é vender esse conceito para o Banco do Brasil adicionando os drinks for free tão prometidos por Justin. Porque a gente merece ser diva mesmo quando estamos implorando um empréstimo pra pagar as dívidas contraídas pra terminar no doutorado. Luxo!

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first impressions

dezembro 10, 2009

Eis-me aqui, Londres. Tentando me adaptar ao sol que se põe às 16h e ao frio que isolo lá fora. Adaptação. O bom de viajar é descobrir as pequenas idiossincrasias locais. As facas, por exemplo. Ontem, na hora do almoço, fui cortar umas cenouras (saudável, muy saudável é a nossa cozinha!). Reclamei, reclamei, reclamei. “Essa faca não presta!”. Leandro respondeu: “Sabia que aqui é proibido o porte de facas?”. “Hein? Não posso comprar uma faca afiada?”. “Não… A não ser que você tenha uma licença do governo”. “Hein?”. É. Os ingleses são loucos com “security reasons”. Na estação de metrô, não paravam de falar pelo sistema de som “Não deixe nenhum objeto, pacote ou pertence nos bancos da estação”. Bomba? E Leandro contou que quando acontece um acidente de carro, eles colocam uma placa no local avisando “Aqui aconteceu um acidente”. Ok. Acho que começo a entender a moral da vida aqui. Também, pudera. Difícil é não entender. Essa cidade é muito literal.