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Dos pés de amora que comi

junho 4, 2008

Começo de outono, agito nos sindicatos, vento gelado de maio e aquela luz que todo fotógrafo sonha em ter no resto do ano. É nessa época que aparecem os primeiros frutos, ainda discretos. Dê-lhes 15 dias de folga e só o que vai restar é o chão coberto de um roxo avermelhado. Parece a pintura que rola em Edukators. Splash pra todo lado.

Foram 3 os pés dos quais comi amoras em minha vida. O primeiro, o do prédio da economia da Unicamp. Ali do ladinho do CAECO, o Centro Acadêmico mais polêmico do movimento estudantil da minha época. Era tática-dois e corredor polonês para angariar votos. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que o curso de economia, na Unicamp, é mais ciências humanas…

Descobri mais tarde a amoreira do IFCH, onde fiz minha graduação. De novo, era só passar a Kombi do STU(Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) anunciando paralisação que lá vinham os primeiros frutos. E a gente se esbaldava naqueles dias de biblioteca e bandeijão fechados. Tinha até quem amarrasse ali uma rede e ficasse lendo à sombra.

Em 2006 descobri o padrão. Fui fazer minha inscrição no processo seletivo do mestrado de sociologia da USP -que nunca fiz- e lá estava ela em frente à biblioteca da FFLCH, fazendo sombra no meu banco. Uma simpatia de amoreira. Me deu as cores do pertencimento depois daqueles 20 minutos em que me senti sem referências: a FFLCH é lugar de gente moderna, o IFCH, de gente quase-hippie, quase-zé-droguinha, quase-quase-moderna.

Em um tempo em que me perco constantemente e que coloco minhas escolhas em dúvida, nada como um pé de amora para que eu me sinta segura. E, apesar do meu pé de amora companheiro ter sucumbido à última tempestade que passou por Barão Geraldo, seus splashs continuam espalhados em frente ao prédio de pós-graduação do IFCH. Para mim, vai ser sempre o símbolo das discussões acalouradas da academia, das desilusões compartilhadas pelos estudantes e da esperança de que dá pra fazer alguma coisa com toda aquela teoria que a gente discute a portas fechadas.

O pé de amora é minha ágora.