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A Usp, os legalismos e o medo

novembro 8, 2011

Eu já estava no ponto de ônibus que ia me levar ao 91º DP quando minha família me ligou me pedindo pra não ir. “Não vá. Está perigoso”. Eu, que sempre desobedeço, resolvi respeitar o medo e compartilhar isso com vocês, porque achei que era uma história que deveria ser contada. E já.

Eu ia à porta da delegacia juntar minha voz ao coro dos protestos que pedem a libertação dos estudantes da USP que foram presos hoje cedo por ocuparem a Reitoria. Eu ia pro-tes-tar. E me pediram para não ir. Não porque não concordassem com a minha causa, com o meu sentimento. Mas porque têm medo da reação que a polícia pode ter aos protestos.

Compreendem a perversidade da ação da Polícia Militar agora?

Os homens e mulheres que foram presos hoje ocupavam a Reitoria como um protesto político, concordemos ou não com essa estratégia de luta. Concordermos ou não com a sua causa. Pois mesmo que a miopia de muitos (incluindo a deles próprios, que levaram sua causa à ação direta no pior timing da história do movimento estudantil) leve a acreditar que eles ocuparam a Reitoria porque queriam defender o uso da maconha na USP, eles não estariam necessariamente errados. Estariam protestando contra a política anti-drogas que vigora no país. Um protesto político, pois, como a Marcha da Maconha, queridinha dos modernos progressistas que agora querem ver esses jovens linchados.

Por isso, não me venham com legalismos. Movimentos sociais não ocupariam prédios vazios do centro da cidade de São Paulo se fossem obedecer às leis. Não ocupariam terras improdutivas se fossem obedecer às leis. Eu, você, sua mãe, sua família, seus vizinhos sequer votariam se pessoas não tivessem saído às ruas, seqüestrado embaixadores, se organizado em guerrilhas e desobedecido às leis em vigor.

Crime, meu caro, é não compreender que a desocupação da Reitoria com a prisão dos estudantes é uma repressão política. Uma repressão que agora ecoa no medo dos meus familiares e amigos, que temem que minha voz na porta da delegacia termine num habeas corpus ou em um leito de hospital.

É triste demais…