Archive for junho \29\UTC 2008

h1

associação livre

junho 29, 2008

Eurico Miranda caiu aqui e Robert Mugabe continua lá. No meio disso tudo, o Senado norte-americano anunciou a retirada de Mandela e de seu partido, o Congresso Nacional Africano, da lista dos terroristas.

Agora, Mandela é livre para pisar em outras partes dos EUA que não a sede da ONU. Roberto Dinamite é promessa de mais democracia no Vasco. E não adianta rezar para o Mubage, no auge dos seus 84 anos, morrer. Só mais 84 anos darão conta de reestruturar o país. E Bush quer impor um embargo, via ONU, ao Zimbábue.

A saída de Eurico Miranda dá esperança. A retirada de Mandela da lista dos terroristas, não. Progressista seria pensar em um país sem lista de pessoas que não são bem-vindas por serem terroristas, como Mandela foi um dia. Nada melhor para provar a arbitrariedade dos critérios, arbitrariamente postulados ao calor da história. Da onda de violência no Zimbábue, ninguém vai se lembrar. Sem registro, não há o que se lembrar. Pode dar sorte de virar filme e ganhar uma referência distante na memória. Assim como Guantánamo é agora uma música de Caetano. E também foi um dia, o Haiti.

***

Em tempo, a melhor matéria que li até agora sobre o pleito no Zimbábue. É do The Guardian. Segue um trecho. Mais, aqui.

“The young man who gave his name only as Wilson wanted just one thing from yesterday’s presidential election in Zimbabwe: the indelible red ink on his little finger to show he had voted.

“They said they would come to see if we voted,” he said after casting his ballot in a tent in a Harare suburb. “They know if we went to vote we would have to vote for the president. They were watching.”

Who are “they”?

“The ones who made us go to the meetings at night. The ones who told us we must be careful to correct our mistake.”

Wilson voted for Robert Mugabe yesterday, against his will but judging that it was the best way to save himself from a beating or worse.”

h1

zombie walk

junho 26, 2008

Tenho um amigo neozelandês que sempre me dá lições de alteridade. Aprendo muito com ele, mesmo sem ele saber. Além de compartilhar informações do tipo “tem muito imigrante polonês na Inglaterra”, vira-e-mexe ele solta impressões sobre o nosso cotidiano que me fazem generalizar “isso é coisa de brasileiro”.

Ontem, ele diagnosticou nossas eleições. “Sabe o que eu acho? Que a política do Brasil parece filme de terror. Parece que a cada dois anos todo mundo sai do cemitério”.

É. Paulo Maluf que o diga.

h1

paraguaias

junho 26, 2008

Quem cresceu na década de 1990 se acostumou a chamar um produto falsificado de paraguaio. Era tanto sacoleiro atravessando a ponte da amizade que comprávamos tranqueiras até dizer chega. As lojinhas de R$ 1,99 são o ápice dessa era, e pareciam a feira da UD. 

As lojinhas de mercadoria barata e suspeita, hoje, são mais associadas aos migrantes chineses e coreanos do que fazem referência aos paraguaios. Meu pai, quando quer se referir a um lugar barato para se comprar mercadoria, sempre diz: “Vai lá no Xing-Ling”.

Quem vai no Xing-Ling sabe o risco que corre. Aquele I-Pod pode funcionar pelos mesmos dois anos que o original, como bem pode “dar pau” na semana seguinte. Uma amiga minha teve que trocar o dela cinco vezes até que ele funcionasse de verdade. Comprou o I-pobre em um dos Xing-Lings da Paulista. Pelo menos, tinha garantia.

Pois é. Ontem, assistindo a uma reportagem do César Tralli sobre adulteração de combustível para o JN, quase morri de rir. O dono de um posto que havia sido autuado no ano anterior mudou o nome do estabelecimento de “Júpter” para “Xing-Ling”. E a cara de pau do cidadão não parou aí. Como o posto ficava em uma esquina, trocou o nome da rua em que o posto anterior estava registrado. Outra rua, outro nome, outro posto. Detesto a bopemania, mas deve ser mesmo um fanfarrão esse dono do Xing-Ling.

Para os curiosos, o vídeo está aqui.

h1

cada um com seus valores

junho 25, 2008

Na época dos ataques do PCC me apaixonei pela coluna da Mônica Bergamo. Tinha ali uma entrevista com a Hebe onde ela rebatia o diagnóstico do então governador de São Paulo, Claudio Lembo, de que a elite branca tinha sua porção de culpa nos atos de violência espalhados pela cidade.

“A elite é a mais prejudicada”

Ao lado de convidadas como Luana Piovani e Costanza Pascolato, e entre baldes de champanhe e edredons de penas de gogó de ganso que custam mais de R$ 7 mil, a apresentadora Hebe Camargo prestigiou o lançamento de um livro na loja de enxovais de luxo Trousseau, no shopping Iguatemi. Hebe falou à coluna sobre os ataques do PCC:  

FOLHA – Como os ataques do PCC, que paralisaram a cidade na semana retrasada, afetaram a sua rotina? HEBE – No dia daquela pane toda, foi suspensa a minha gravação porque eu não podia pôr em risco meus convidados.

FOLHA – O que a senhora achou da declaração do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, sobre a “elite branca”? HEBE – Achei aquilo de uma infelicidade! Ele devia estar muito nervoso, porque ele é uma pessoa de bem, de muito caráter. Estranhei. Quero crer que foi fruto do nervosismo que todo mundo estava vivendo.

FOLHA – A senhora acha que existe uma “elite branca” responsável… HEBE – Não, absolutamente! Que culpa tem a elite? O que que é isso? A elite é a mais prejudicada, é a mais intimidada, a mais cobrada! A elite não tem culpa, absolutamente. Gracinha!! [aperta o nariz da repórter, encerrando a entrevista].”

A coluna completa, e genial, está aqui.

Outro dia, me diverti com a Hebe de novo. Ao entrevistar o Padre Marcelo Rossi, que cantava com Paulo Ricardo (também não entendi nada), ela soltou:

– aquelas criancinhas todas de terninho, tocando violino e violãocelo, olha, a televisão precisa disso…

– valores…

– mostrar esses valores. as roupinhas….

Doida demais.

h1

Neria

junho 23, 2008

Em tempos difíceis para o Zimbábue, não custa nada lembrar de seus tempos de glória.

Aqui o trailler do filme:

 e o Oliver cantando a música-tema:

 

h1

wikkipediando

junho 15, 2008

Acabei de dar minha primeira contribuição a esse mundo dos textos de edição sem fim.

Foi na Last.fm.

Escrevi o perfil do cantor e compositor zimbabuano Oliver Mtukudzi:

“Oliver Mtukudzi, também conhecido como Tuku, é um músico muito popular em seu país, o Zimbábue. Sua carreira teve início na segunda metade dos anos de 1970, quando começou a tocar com a banda “Wagon Wheels”. Nela, também tocava Thomas Mapfumo, outro famoso músico zimbabuano que é conhecido por ser um dos pioneiros no estilo muscial chimurenga (tocado com mbiras).
Após o sucesso da “Wagon Wheels”, Mtukudzi seguiu carreira solo com a banda “Black Spirits” – formada por muitos dos músicos da “Wagon”.
Suas canções são, em sua maioria, escritas em shona e citam os problemas econômicos e sociais do Zimbábue.”

Ouçam “Neria”. É a faixa título de um filme zimbabuano. E a trilha sonora é dele.

h1

a mesma história

junho 12, 2008

Trilha sonora pros desenamorados que, no dia de hoje, ressucitam memórias.

É linda, na voz do Cartola:

“Quem me vê passar calado e triste não resiste,
vem me perguntar o que causou esta transformação.
Já estou cansado de contar aquela historia.
É sempre a mesma historia que resume-se em desilusão.

Preciso andar pra não pensar
no que passou e não chorar,
viver em paz e sepultar de vez
a minha grande dor.
Confiante despeço-me de meus amigos
e da cidade, só voltarei
quando encontrar felicidade…