Archive for outubro \31\UTC 2009

h1

super-heróis nas guerras

outubro 31, 2009
fidel e batman

colagens do Agan Harahap, no Format (via RxFresh)

Anúncios
h1

Cine Paradiso, um adeus

outubro 29, 2009

Depois quando eu digo que a imprensa dessa cidade é amadora, a classe fica toda ofendida “óóóóóóóó!”. Ainda mais depois do prêmio Vladimir Herzog que a EPTV ganhou este ano.

Pois bem.

Hoje foi um dos dias mais tristes da minha relação com a cidade de Campinas. Foi a última sessão de cinema na última sala de cinema do centro da cidade, o Cine Paradiso. Essa sala de cinema podia contar, sozinha, toda a história da minha adolescência. Passava os filmes cults que eu queria consumir e saciava o meu desejo de viver uma Mostra Internacional de Cinema. Foi lá que eu assisti “Casamento à indiana” e que fiz planos de jogar tudo pro alto quando fizesse 25 anos e sair viajando o mundo. Foi lá também que, com a mesma amiga, aguentei uma sessão de tortura do Julio Bressane. Namorei, paquerei, fiz amigos. Mas não mais.

Hoje era o último dia de funcionamento do cinema. Afundado em dívidas, ele fechou as portas. Ás 19h20 ia passar sua última fita. “Amantes”. Não, não tinham uma cópia do filme homônimo à sala de cinema.

Entrei na sala acompanhada pela mesma amiga que sempre esteve lá comigo. Senti aquele cheirinho gostoso de sala de Cine Paradiso. Cheiro de filme, de tinta, de álcool. Tudo junto. Um cheirinho tão familiar que fiquei feliz só de ter entrado ali mais uma vez. Começaram a aparecer os jornalistas pra recolher depoimentos e atrasar a última sessão. Ok. Trabalho feito, rua, né?

Subiram para a sala de projeção, minúscula, que eu visitei depois pra testemunhar o desespero do dono do cinema. 4 jornalistas, 2 deles cinegrafistas, insistiram em entrar na sala ao mesmo tempo para fazer imagens. Esbarraram no projetor. Fim da sessão. Fazia uns 10 minutos, no máximo, que o show tinha começado. Nem deu tempo de nos despedirmos da velha sala de cinema da barão de jaguara.

Saímos a pé, andamos pelo centro e observamos o grande vazio da cidade.

O Cinema Paradiso era o ponto de resistência da circulação de cultura no centro. Morreu e vai deixar muitas saudades…

h1

máximas sobre o amor #1

outubro 24, 2009

acordar cedo e ligar o computador procurando um e-mail. depois checar pra ver se a pessoa está online. a foto do orkut aparece, mas deve ter sido resquício da madrugada. ainda é cedo pra ter uma resposta.

marcar um encontro e chegar meia hora antes. disfarçar enrolando em algum café, livraria, loja de cd, banca de jornal, ou em um banheiro público. faz a toalete. tira a lente, coloca de volta. lava o rosto, retoca a maquiagem. ainda é cedo, mas talvez ele já esteja lá. espia. não chegou. checa o celular. ligo ou não ligo? melhor esperar. 15 minutos de atraso. não vem mais? vem só pra não ficar chato, né? ele chega. ai, minha roupa tá boa?! risadinhas nervosas. vou falar sobre o quê? pára de rir, pára de rir! por que é que tudo parece tão engraçado? ele vai achar que eu sou mongol. já não sei mais do que ele está falando de tanta preocupação em estar parecendo mongol. melhor se concentrar. hein? é, tá muito barulho aqui, não entendi muito bem. agora entendi. entendi que não sei se vai rolar. eu quero. ele quer? posso tentar? melhor não… vai que perde o encanto… deixa de lado o feminismo! só hoje! melhor esperar. e a gente espera. espera enquanto fala de mafalda, de campinas, de caieiras, de folhices, de unicamp, de amigos em comum e incomuns. já faz um tempo que a gente não pára de falar. só amigos?! eu sabia! será que eu dei na cara? será que ele não gostou das coisas que eu estava falando? das risadas que eu dei? tô facinha? e agora? e? e? e?

e aí que o amor é uma grande ansiedade. mas é leve. como leve pluma muito leve.

h1

sou eu assim sem você

outubro 12, 2009

always Le Love

h1

Norma, a Amélia dos tempos modernos

outubro 11, 2009

Nunca fui feminista militante, assim como nunca fui militante de nada só pra contrariar o óbvio – que é estudar ciências sociais e se vestir de bandeiras. Isso não quer dizer, no entanto, que eu compartilhe da mentalidade medíocre que reifica, dia-a-dia, a subordinação das mulheres na nossa sociedade.

Cresci ouvindo que eu deveria ser independente e ter uma profissão – conquistas com as qais minha mãe sonhou, mas não conseguiu alcançar – e  tive muitos exemplos de rupturas dessas relações hierárquicas de gênero. Desde criança sabia que era possível viver em um mundo no qual pais e mães não precisavam ser o cara que dá os presentes e a moça que lava as roupas e faz comida. Uma pena que eu não soubesse, na época, que existia vida para além do lar heterossexual. Prefiro a morte a seguir a fórmula pronta da divisão sexual do trabalho, das hierarquias de gênero e sexualidades, da dupla jornada.

Mas por que mesmo esse desabafo todo?

Hoje, assisti o final do seriado Norma, que acreditava ter uma proposta legal.

Ingenuidade.

A Norma conseguiu uma promoção e começou a ter problemas em administrar sua vida de dona-de-casa e de mãe-de-família com o trabalho – agora, supostamente mais pesado (desculpem os apostos, mas não me aguento: como se a dupla jornada que ela levava antes da promoção não fosse trabalho demais!!!). Ela, então, pediu dicas para a plateia de como conciliar o cuidado da casa e da família com o trabalho. A plateia reagiu e a trama continuou, seguindo as dicas dos analfabetos de gênero. O seriado se encerrou com uma lição de moral inacreditável. Norma diz: “Viu como é possível ser chefe, bem-sucedida e continuar cuidando da casa e da família?”.

Tucanaram a queima de sutiãs!

Não é possível que as pessoas continuem acreditando que é da natureza da mulher essa coisa toda do cuidado. Não é porque um corpo biológico gera descendentes que vai baixar ali um instinto, como um raio que cai dos céus, que torna a mulher biologicamente mais apta a cuidar dos filhos e do lar enquanto o homem prove de alimentos e equipamentos eletrônicos a casa que ele comprou. A Norma faz o pior dos discursos porque esconde essa relação de desigualdade e continua a naturalizar o papel da mulher na sociedade. É nojento, pavoroso, e de um conservadorismo estúpido. A Norma é a Amélia dos tempos modernos. Ela se adapta à condição de a mulher ocupar postos de mercado no trabalho e engana com um discurso pretenso feminista – ao dizer que as mulheres devem exigir salários iguais aos dos homens, por exemplo.

As feministas não queimaram o sutiã pra poder ganhar R$ 10 mil e pagar uma empregada doméstica (também mulher. reflitam). Alguém precisa ensinar para o roteirista descuidado, que eu prefiro não saber quem é, que eqüidade de gênero não se mede pela conta bancária.

h1

óculos do amor

outubro 2, 2009

Este blog está sob o efeito inebriante dos óculos do amor.

Je vois la vie en rose.

Os pés de amora estão carregados. Por onde passo eles estão carregados.

Prometo voltar assim que comerem todos os frutos – que é pro excesso de doçura não causar enjôos nos não-portadores dos óculos do amor.

Prometo. Mas não asseguro menos doçura.

Pois onde há um pé de amora, há manchas cor-de-amora por toda a parte.

Via LeLove.