Archive for julho \29\UTC 2008

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humpf

julho 29, 2008

Este blog está virando um diário de campo de um pós-graduando. Prometo não falar mais disso, sei que é chato, mas é que hoje tive um pesadelo. Como os normais sonham com o chefe, hoje sonhei com a minha orientadora gritando, gritando, gritando: “Bááááááárbara, cadê o texto que você tinha que ter me mandado até o final deste mês?”.

Hoje é dia 29. Não quero nem imaginar se este mês é 30 ou 31.

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sutileza

julho 24, 2008

De Silvana, costureira, ao tirar minhas medidas:

-Nossa, onde é que você pensa que vai com esse quadril, menina? Tá quase a mulher melancia.

Hoje almocei um prato de salada. E assim será por muitos dias, espero.

(Fui descobrir quem era a tal da mulher melancia há poucas semanas. Posso dizer, sem dúvidas, que a comparação não é nada lisonjeira).

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Em tempos de Rodada Doha

julho 21, 2008

“The moment the average resident of Tanzania, or Laos, was no longer forbidden to relocate to Minneapolis or Rotterdam, the government of every rich and powerful country in the world would certainly decide nothing was more important than finding a way to make sure people in Tanzania and Laos preferred to stay there. Do you really think they couldn’t come up with something?” (David Graeber, Fragments of an Anarchist Anthropology).

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escorregando no servo-croata

julho 17, 2008

Para constar nas buscas do google, para que futuros pesquisadores não passem pelo vexame que eu acabei de passar: autogestão na antiga Iuogoslávia é equivalente a “samoupravljanje” e não a “samoupravlje”. Estamos entendidos?

Aparentemente, além da guerra que mata gente e verte sangue (é sempre bom usar o verbo no tempo correto) há uma guerra lingüística nas terras do general Tito. Assunto muito complicado, mas a indicação é a de que os bósnios e montenegrinos se valeram da construção de diferenças lingüísticas para justificar sua autonomia nacional. Eles romperam o acordo de unidade lingüística servo-croata (similar ao que o Brasil acaba de assinar com os outros países de língüa portuguesa) para introduzir aí um elemento de unidade nacional: os lingüístas tiraram umas consoantes, botaram outras e záz (como diria o Quico, do Chavez). Daí todo mundo escrever “samoupravlje”, palavra que não existe no dicionário servo-croata, ao invés de “samoupravljanje”.

Para complicar ainda mais: quem me contou essa história foi uma professora sérvia da Universidade de Belgrado (é. pois é).

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pérola negra

julho 17, 2008

Minha maior decepção na Virada Cultural deste ano foi perder o show do Luiz Melodia. Hoje matei a vontade e aprendi que pra ser em forma assim (ô lá em casa) é só viver à base de sushi e sashimi. Foi um show especial porque ele tocou “Estácio, eu e você”, de fazer qualquer um ficar leve como pluma leve…

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nerdices

julho 16, 2008

Uma das coisas que mais gosto no meu mestrado são os papos furados com colegas que encontro semana sim, semana não (às vezes mês sim, mês não. ou mais). Das conversas de 15 minutos em que colocamos os olhos pra descansar sempre saem sentenças enigmáticas. Outro dia mesmo eu disse para um amigo: “Temos muito o que aprender com os anarquistas”. Ele concordou. Ontem, um rapaz soltou: “Minha professora nos dizia que a missão das ciências sociais é construir conceitos”. Fiquei contrariada: “O que fazemos não é tentar implodí-los?”. 

ps: falando nisso, essas conversas me têm sido reconfortantes não tanto pela graça, mas porque me descubro não tão perdida assim. Justo eu, que me perco nas seções erradas da biblioteca e sempre saio com um livro sobre Kosovo ou a vida sexual dos trobriandeses debaixo do braço. Garanto que tem gente desviando a rota bem mais do que eu. Ufa!

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anacronismos

julho 9, 2008

Eles andam à solta desde que o mundo é mundo e o homem inventou a história. Mas dizer em pleno ano 2000 que a democracia americana é um modelo a ser seguido já é demais, não é, não? Ainda mais quando a sentença vem da boca, de novo, de um francês. O sujeito, Pierre Chaunu, além de boneco de ventríloco do Malthus (o problema mais importante do mundo é a explosão demográfica, ele diz) parece ter incorporado o Tocqueville. Antes fosse genial como ele. Segue a profecia de Chaunu, em “Perversões da Utopia Moderna”, de Philippe Bernard:

“Por enquanto, nada é irreversível. Enquanto a América resistir. A utopia moderna mereceria o benefício do sursis”.