Posts Tagged ‘nham’

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feira-livre

outubro 14, 2010

mudei de fornecedor de frutas, legumes e gordura trans.

agora é assim: uma vez por semana atravesso a rua e enfrento as pranchas de madeira que cobrem os paralelepípedos expostos pelo asfalto gasto. é uma verdadeira batalha desviar dos carrinhos de feira, dos buracos, das poças de água (antes fosse só água) e das ofertas imperdíveis que começam no pós-meio-dia. e aí que na terceira semana eu já sei que o cara da banca de frutas, de cabelo meio rasta, vai enfiar uma melancia na minha boca sem eu perceber e perguntar se não tá boa demais. e eu vou comprar sorrindo. do mesmo jeito que vou comprar sorrindo a tapioca, que hoje me conquistou pela malandragem:

– 233, 233! senha 233! é o número dos mineiros, minha gente!

juro que ainda não descobri se os três quarteirões de feira são mais caros ou mais baratos que o horti-fruti do mercado em que já vi um rato correndo pelo cano exposto da parede. mas ali é na rua, é no meio da vizinhança que passa apressada, é na base da fidelização do cliente. eu, aos poucos, vou elegendo meus favoritos, entre tantos preços e vegetais iguais. e já escolhi o cantinho certo da nossa banca de pastel, onde me encho de gordura trans como prêmio por ter enfrentado os desafios do dia. agora, ‘motorizada’ com o carrinho dobrável de metal que eu adorava empurrar vazio na casa de mamãe. pena que de lá pra cá decaiu muito a qualidade do vinagrete que eu tuxava no sempre preferido pastel de queijo, sentadinha em cima da banca de pastel…

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china in box

março 6, 2010

Como vocês puderam conferir no último post, nesta quinta-feira fomos convidados para jantar na casa da Tina, uma jornalista chinesa que também está fazendo seu mestrado na LSE.

Ficamos como guests, apenas descascando o alho e observando ela preparar, em 30 minutos, um banquete.

Tivemos uma seleta de legumes regado ao molho de soja; peixe comprado em chinatown, cozido no vapor, temperado com (tchã-nã!) soja, gengibre e outras especiarias que não ousaria traduzir pro portunglês; costelinha de porco e tofu ao molho agridoce e noodles ao molho de um omeletão de legumes ligeira e perfeitamente fatiados por nossa hostess.

Comi a melhor comida chinesa da minha vida. Me deliciei, pela primeira vez, com costelinha de porco, e juro que nunca comi um peixe tão bom. E o melhor de tudo foi aprender a comer à chinesa: é tudo coletivo. Você vai pegando as porçõezinhas do que quiser com seus chopsticks e vai mandando pra dentro.

DSC05654Chop chop chop

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Nossa Hostess em ação

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Nosso private chinese banquete =) (comida pra 4!)

Nota importante: wilson e tina nos ensinaram que hashi significa “PERNAS”. agora a piada óbvia : daqui por diante, favor só usar o hashi pra comer entre quadro paredes =O

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ok, você venceu: batata frita!

julho 27, 2009

eu tinha uns 4 ou 5 anos e acabara de descobrir a escada rolante. não alcançava o corrimão e adorava pisar na faixa amarela. dela, saltava voando pela mão da minha mãe, ou do meu pai, e aterrissava suave em frente à barraquinha de cheiro adocicado com gosto de quero mais. a batata frita era acompanhada de uma guarnição de requeijão. as duas, emolduradas na caixinha de papelão do cowboy. as idas ao shopping, nessa época, tinham esse objetivo: o de chegar ao terceiro andar da praça de alimentação pra comer fast-food de um cowboy norte-americano. um dia, a barraquinha sumiu. lembro de ter chorado um pouco. minha mãe comprou batata frita de outro lugar, de caixinha sem-graça e sem requeijão. acompanhamento? só ketchup. e tinha que rasgar no dente porque com a unha a gente nunca que conseguia abrir. naquele dia, se eu fosse a mafalda, teria começado um movimento anti-globalização. o McDonald’s faliu a rede do cowboy e acabou com a possibilidade de eu voltar a sentir o sabor mais gostoso que eu me lembro de ter provado em toda a minha infância.

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leitinho do D2

fevereiro 13, 2009

hemp

 

Aqui e aqui. Via lista de estudantes da pós-graduação. Tomou?

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Orxata de Chufa, si us plau!

setembro 23, 2008

(Orxatas na Filosofía, a casa de tapas politicamente correta de Barcelona).

Momento “Sopa Vermelha”, o blog deliciosíssimo da minha prima Fabrícia, aqui no pés de amora.

O Caetano pede, com um por favor em catalão, por uma Orxata de chufas. “Si us plau!”. Foi só no meu último dia de viagem que, ao sentar em um balcão de casa de tapas para tomar o café da manhã, descobri a orxata. “O que é isso?”. O senhorzinho simpático, dono do estabelecimento que só vende produtos “fair trade”, nem tentou explicar: “Toma!”. Deu um pouquinho pra gente provar e disse que as pessoas bebem isso no café da manhã. “É como um cereal”. Sei… Era um caldinho de gosto meio doce meio amargo que não chegou a agradar.

Nessa de querer traduzir um mundo que é seu para um mundo que você imagina que seja o do outro, a gente perde muita coisa. Dei um google na orxata e descobri que este é o nome dado às bebidas preparadas à base de algum vegetal, água a açúcar. Na wikki contam que o nome vem de uma frase dita pelo rei Jaume I, de aragão, após provar a bebida: “Això és or, xata!” (Isso é ouro, querida!). A orxata de chufas é a mais popular e a tal da chufa é um tubérculo (são como as trufas, nascem embaixo da terra) que foi introduzido pelos árabes na Espanha. Eles, que agora moram nos guetos da europa, a trouxeram do Oriente Médio e da África do Norte.

Senti uma moral vegetariana na tal da orxata. É um substituto do leite e pode ser usado para fazer bolos e outras iguarias. Não chega a ser bom, mas dá para acostumar. E não rejeitei como faço com o leite de soja (blergh!). De qualquer maneira, essa moda da comida politicamente correta ainda está longe de me pegar…

(chufas)