Posts Tagged ‘coti’

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conto de fadas

janeiro 5, 2010

nesse meu primeiro mês aprendi que as moedas de 2 p não valem mais que as de 1 pound, mas são muito preciosas. descobri que eu não levo mesmo jeito pra ser elegante em camadas, mas continuo tentando. percebi que vai ser difícil viver ser as manchetes preciosas do evening standard – que some nos finais de semana e feriados, mas que é de graça, afinal. fiz o primeiro feijão da minha vida, em forma de tutu, e venci o desafio culinário que havia me imposto “só cozinha bem quem sabe fazer bom feijão”. mas pude sentir os efeitos colaterais crescentes dessa massa marrom no meu corpo e compreendi que feijão não é coisa pra se comer todo dia se se quer ter um manequim 40 (ok, 38, já desisti de você há muito tempo). vi pela primeira vez a neve, mas não pude fazer dela boneco. mas a descoberta não comprometeu meu conhecimento experimental: depois da neve, se sair sol, não se engane, otário, vai estar um frio do caralho. minhas botas de camurça molham. e quando eu coloco as galochas, não chove nem neva. ainda não descobri se calço 6 ou 5 (ou seria 5,5?), mas pouco me importa. com tanta meia no pé, quem sabe qual é o real tamanho do sapato de inverno? já parei de chamar as meninas que andam de meia-calça e mini-saia de piriguetes e desfilei algumas vezes de meia-de-lã (toda chica latina sente muito frio) e saião. descobri que não posso lavar roupa na mão com sabão em pó (cortei todos os meus dedinhos. e nesse frio, rapaz, dói). e estou viciada nos basics do sainsbury e nos vidros de tikka masala de qualquer marca. aprendi a cozinhar no cooktop e caí no trote do alarme de incêndio duas vezes. não posso mais viver os invernos que virão sem um aquecedor. não posso mais viver sem as gadgets do lar da argos (como assim, uma batederia por 3 libras?!). ainda não bebi a minha guiness (vê se pode?), mas já me empanturrei de Cerveja de Trigo, de Stella Artois e de Carlberg (the best lager ever). na segunda começo a belly dancing. na quarta retomo a yoga. e depois, bem, depois, é a saudade. saudade dessa vida daqui, que me faz querer ficar pra sempre acordando tarde e dormindo cedo. saudade dessa cama que a gente guarda dentro do armário e da faxina que a gente adia pra escrever trabalho. saudade dessa escrivaninha compartilhada, desse calorzinho bom ao meu lado 24h,7 dias por semana. saudades… =)

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first impressions

dezembro 10, 2009

Eis-me aqui, Londres. Tentando me adaptar ao sol que se põe às 16h e ao frio que isolo lá fora. Adaptação. O bom de viajar é descobrir as pequenas idiossincrasias locais. As facas, por exemplo. Ontem, na hora do almoço, fui cortar umas cenouras (saudável, muy saudável é a nossa cozinha!). Reclamei, reclamei, reclamei. “Essa faca não presta!”. Leandro respondeu: “Sabia que aqui é proibido o porte de facas?”. “Hein? Não posso comprar uma faca afiada?”. “Não… A não ser que você tenha uma licença do governo”. “Hein?”. É. Os ingleses são loucos com “security reasons”. Na estação de metrô, não paravam de falar pelo sistema de som “Não deixe nenhum objeto, pacote ou pertence nos bancos da estação”. Bomba? E Leandro contou que quando acontece um acidente de carro, eles colocam uma placa no local avisando “Aqui aconteceu um acidente”. Ok. Acho que começo a entender a moral da vida aqui. Também, pudera. Difícil é não entender. Essa cidade é muito literal.