Posts Tagged ‘EUA’

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lógica wicca

maio 26, 2009

Genial a campanha da Big Ant International para o fim da guerra do Iraque. Vai bem na lógica Wicca: tudo o que você me faz (e me deseja) de mal, volta em dobro pra você. Ganhou prêmio do One Show Design Awards.

Vi em The Inspiration Room, via ffffound.

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Baile da Ilha Fiscal

fevereiro 10, 2009

A taxa de desemprego no Zimbábue está em 94%.  São quase 12,5 milhões de pessoas sem emprego, o que corresponde à soma total da população das duas maiores cidades dos EUA: Nova York e Los Angeles.

Se somarmos a população da terceira maior cidade, Chicago, temos um Zimbábue. Um Zimbábue em que, em Nova York e Los Angeles, ninguém tem trabalho, todo mundo passa fome e morre de cólera. E uma Chicago com disparidades sociais gritantes, a doença, a desgraça e a polícia batendo à porta e com um predisente e seus protegidos bebendo 2 mil garrafas de champanhe, comendo 8 mil lagostas, 4 mil porções de caviar, 3 mil patos e 8 mil caixas de Ferrero Rocher em uma única noite – a da comemoração dos seus 85 anos.

Do extermínio dos zimbabuanos, ninguém fala, se é que já ouviram falar de Robert Mugabe e do Zimbábue. Também não vi ninguém expulsando embaixador do Zimbábue – é, vai ver que o Chávez acha que o Zanu-PF, partido do Mugabe, ainda é um partido socialista e realizou a maior reforma agrária do mundo, que exterminou famílias inteiras de fazendeiros ingleses e repassou a propriedade a membros do partido*. A expulsão de um embaixador, por sinal, quase foi fieta por Mubage no ano passado. Em meio às eleições presidenciais – que não ele não venceu, mas tanto faz -, disse que não toleraria a intromissão dos norte-americanos nos assuntos internos do país. Eles continuam não se intrometendo.

Na matéria da Folha Online, um voluntário internacional que trabalha no país explica que as lagostas vão chegar por avião. E que quem quiser ajudar na crise humanitária pode fazer uma doação de 45 ou 55 mil dólares norte-americanos efetuando um depósito na conta do Zanu-PF, o partido de Mugabe. Legal, né?

Alguém podia descobrir petróleo ou lítio no país. Assim, quem sabe, o exército da salvação não saía do Iraque e aparecia lá, pra barbarizar geral.

* Quem quiser conhecer melhor essa história, indico o livro do jornalista zimbabuano Peter Godwin, que foi um dos melhores que li no ano passado: “Quando um Crocodilo Engole o Sol”.

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alguns dólares a mais

setembro 29, 2008

Ainda não entendi muito bem como funciona a política de cartões de crédito do Banco do Brasil, mas, pelo que o gerente me explicou, vou pagar as compras que fiz no estrageiro com a cotação do dólar do dia da fatura do cartão. O gerente foi incapaz de me explicar porque funciona assim e se contentou com uma risadinha sarcástica sobre a minha condição financeira: “Não liga não. É um jogo de sorte”.

Eu não joguei nada. E espero que esse tal desse gerente seja mais um desses funcionários mal-informados ou um exemplar típico de que ninguém, nem mesmo quem trabalha com a coisa, entende lhufas de regras econômicas. Ok que nessa era de livre mercado não tem nem regra pra entender, mas gostaria que ele pelo menos pudesse me explicar a lógica de me cobrar a cotação do dólar do dia ‘x’ se eles já pagaram pela minha compra, com outro valor, no dia ‘y’. Vamos aguardar a fatura. Quem sabe pagando, eu entenda.

Até lá, o que me resta é tentar vislumbrar qualquer centelha de compreensão sobre a crise que fez o dólar aumentar e que pode fazer com que eu pague – ou não, vamos torcer. Tudo depende da ignorância e da capacidade didática do ‘meu’ gerente – alguns dinheiros a mais quando a fatura do meu cartão de crédito – essa maldição do capitalismo – chegar.

Benjamin, um amigo sempre atento ao noticiário da BBC, me deu essa dica – após me dar uma aula sobre o assunto na semana passada. A matéria do “Newsnight” é realmente excelente, e ajuda àqueles que nunca lêem o caderno de economia do jornal a entender, ainda que de maneira incipiente, como essa crise dos EUA começou.

O link para o vídeo é este aqui. Eu nem vou tentar explicar pra não correr o risco de ficar com a fama do ‘meu’ gerente. Mas que sei o que é credit default swap, ah, agora sei!!!

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anacronismos

julho 9, 2008

Eles andam à solta desde que o mundo é mundo e o homem inventou a história. Mas dizer em pleno ano 2000 que a democracia americana é um modelo a ser seguido já é demais, não é, não? Ainda mais quando a sentença vem da boca, de novo, de um francês. O sujeito, Pierre Chaunu, além de boneco de ventríloco do Malthus (o problema mais importante do mundo é a explosão demográfica, ele diz) parece ter incorporado o Tocqueville. Antes fosse genial como ele. Segue a profecia de Chaunu, em “Perversões da Utopia Moderna”, de Philippe Bernard:

“Por enquanto, nada é irreversível. Enquanto a América resistir. A utopia moderna mereceria o benefício do sursis”.

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associação livre

junho 29, 2008

Eurico Miranda caiu aqui e Robert Mugabe continua lá. No meio disso tudo, o Senado norte-americano anunciou a retirada de Mandela e de seu partido, o Congresso Nacional Africano, da lista dos terroristas.

Agora, Mandela é livre para pisar em outras partes dos EUA que não a sede da ONU. Roberto Dinamite é promessa de mais democracia no Vasco. E não adianta rezar para o Mubage, no auge dos seus 84 anos, morrer. Só mais 84 anos darão conta de reestruturar o país. E Bush quer impor um embargo, via ONU, ao Zimbábue.

A saída de Eurico Miranda dá esperança. A retirada de Mandela da lista dos terroristas, não. Progressista seria pensar em um país sem lista de pessoas que não são bem-vindas por serem terroristas, como Mandela foi um dia. Nada melhor para provar a arbitrariedade dos critérios, arbitrariamente postulados ao calor da história. Da onda de violência no Zimbábue, ninguém vai se lembrar. Sem registro, não há o que se lembrar. Pode dar sorte de virar filme e ganhar uma referência distante na memória. Assim como Guantánamo é agora uma música de Caetano. E também foi um dia, o Haiti.

***

Em tempo, a melhor matéria que li até agora sobre o pleito no Zimbábue. É do The Guardian. Segue um trecho. Mais, aqui.

“The young man who gave his name only as Wilson wanted just one thing from yesterday’s presidential election in Zimbabwe: the indelible red ink on his little finger to show he had voted.

“They said they would come to see if we voted,” he said after casting his ballot in a tent in a Harare suburb. “They know if we went to vote we would have to vote for the president. They were watching.”

Who are “they”?

“The ones who made us go to the meetings at night. The ones who told us we must be careful to correct our mistake.”

Wilson voted for Robert Mugabe yesterday, against his will but judging that it was the best way to save himself from a beating or worse.”