Archive for fevereiro \20\UTC 2011

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business cat

fevereiro 20, 2011

do genial know your meme.

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o pipoqueiro da rua augusta

fevereiro 16, 2011

duas xícaras de milho de pipoca, duas espirradas de óleo Liza, uma colher de sopa de manteiga aviação e uma pitada de sal. essa é a receita que ninguém nunca se deu o trabalho de perguntar ao pipoqueiro do espaço unibanco. nem eu. também não lhe perguntei o nome, que era pra não estragar o meu papel de espectadora daquela cena. ele, a cada 10 minutos, abria a tampa do carrinho, retirava 3 pipocas salgadas e lançava na calçada da rua augusta. quase acertou um passante, que olhou indignado e com cara de “que porquice é essa?”, mas o pipoqueiro aprendeu a ser blasé e nem ligou.

eu sorri.

ele emporcalha a rua com o perfume das pipocas, que é pra atrair clientes. em quinze minutos parada ao seu lado, vendeu um saquinho. e eu não quis saber seu nome, que era pra não estragar a ficção. porque o imaginei fazendo pipocas naquele carrinho, para aquelas salas de cinema, com aquele capricho, há anos. imaginei ele envelhecendo na rua augusta e contando o tempo pelos cartazes dos filmes (“meu neto nasceu quando estreou Amelie Poulain”). imaginei que ele, talvez, ame a sétima arte e por isso escolheu aquele ponto, mesmo sem nunca ter assistido a filme algum ali. quem souber a história real que não me conte. hoje envelheci dez anos na alma só de ter chamado essa história de ficção. e de ter certeza de que ele é, provavelmente, um aposentado que complementa a renda vendendo pipoca. e que seus netos não frequentam aquelas salas de cinema por vergonha – ou falta de grana. e que todo sábado à noite, ele ronca no sofá de casa assistindo seu programa de TV preferido: zorra total. e o pior eu nem contei pra vocês. tenho certeza de que esse senhor de camisa branca meio aberta e testa sempre suada, na verdade, odeia pipoca.

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achados e perdidos

fevereiro 9, 2011

o problema é esse.

é que eu poderia ser feliz de quaisquer outras maneiras – menos sem você, você sabe.

porque meu interesse é disperso. e se estou escrevendo um artigo, quero logo dissecar um cérebro. e se disseco um rato, quero organizar uma passeata na paulista. e se viro gosthwriter de político, ainda que respeitável, quero desistir de tudo e correr atrás do começo do fio da meada.

e é porque eu poderia ser feliz de qualquer jeito – socióloga ou jornalista, médica ou advogada, chef de cozinha ou secretária executiva – que me perco tanto. faço da vida labirinto.