Posts Tagged ‘acadimia’

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esmola

janeiro 6, 2011

Ontem:

“Moça, me dá um trocado?”

“Não posso.”

[?!] “Não pode por que?”

“Porque não tenho””

“Volta lá dentro [do banco] e tira um pouco”

“Não tenho. Sério. Mas posso te dar um cheque sem fundo. Topa?”

“Pô, até na hora da esmola dá calote. vê se arruma um emprego melhor, dona”.

A gente só vem nessa vida pra ser humilhado. Feliz 2011!

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Era uma vez em Bloomsbury*

janeiro 19, 2010

“In or about December, 1910, human character changed”, escreveu Virginia Wolf.

Dois anos depois de o caráter humano ter sido modificado, nasceu Christopher Hill. E em tempo pós-impressionista. 1640, no entanto, ainda era uma história povoada de invisíveis.

Ai, o mundo de pernas para o ar!

Viver é um desafio à gravidade.

(*1 novembro de 2007, no meu antigo blog: Um conto em cada canto)

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[…]

novembro 9, 2009

quando não se bate o ponto sempre se corre dois riscos: o do trabalho de fazer inveja aos senhores da revolução industrial e o dos dias imbecis. quanto mais dias imbecis se tem, maiores são as chances de se ter semanas seguidas de trabalho de tempos de revolução industrial. os dois deprimem. quanto mais se deprime, maiores são as chances de se ter dias imbecis. e assim a coisa vai.

registre-se que hoje eu tive um dia imbecil.

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papai, quero ser diletante

setembro 14, 2009

Outro dia estava lendo um desses artigos da arte da psicologia como um fim em si, do tipo que vomita diagnósticos freudianos a tudo o que vê, e encontrei uma pérola em meio aos porcos.

Voz única entre todos os profissionais entrevistados, que insistiam, em coro, que as pessoas não aceitam críticas ao seu trabalho porque sofreram algum trauma na infância provocado pelo descuido dos pais (blé), um senhorzinho resolveu pensar. Disse algo assim: “Não aceitamos bem as críticas ao nosso trabalho porque vida profissional e privada estão tão ligadas que fracassar na vida profissional é fracassar na vida pessoal”.

Aí pensei nas milhares de vezes em que me senti pequena. Tão pequena que só conseguia crescer em volume da água que saia dos meus olhos. Pensei nas vezes em que me senti sozinha frente ao mundo de gente tão incomparavelmente melhor do que eu naquilo que faço. Pensei nas diversas vezes em que pensei em desistir do metiê porque nunca tinha ouvido falar daquele livro, feito aquela relação entre os conceitos ‘x’ e ‘y’ ou pedido a coleção completa dos Pensadores de presente pro Papai Noel.

Não sei muito de política pública, apesar de ter estudado uma. Nem de cooperativas, apesar de ter estudado algumas. Muito menos de teoria do Estado, apesar de essa ser a minha formação acadêmica principal.

E aí me veio Durkheim, o cara que inventou a ciência da minha “profissão”, e me lembrou, mais uma vez, que nem sempre o mundo foi assim. O problema da confusão entre sucesso profissional e sucesso pessoal é essa exigência que se faz de que devemos cumprir uma função particular com o nosso trabalho.

“Se aperfeiçoar, disse M. Secrétant, é aprender seu papel, é se tornar capaz de preencher uma função… A medida da nossa perfeição não está mais na nossa complacência com nós mesmos, nos aplausos da multidão ou no sorriso aprovador de um diletantismo precioso, mas em uma soma de serviços prestados e na nossa capacidade de lhes prestar” (Durkheim, em “Da Divisão do Trabalho Social”)

O problema é quando a gente foge da especialização justamente porque não vê uma função em si mesma naquilo que a gente faz.

Eu me perco sempre nos entremeios. Me distraio com leituras irrelevantes pra área de especialização. Me deixo encantar com as mônadas de Tarde e Leibniz quando deveria estar atenta às discussões de direito do trabalho. Revisito o sul de Moçambique e percebo que me lembro de toda aquela monografia que li, há dois anos atrás, sobre a população chopi e suas relações de parentesco – mas não me lembro de nada, ou de muito pouco, da discussão dos institucionalistas e da teoria da escolha racional, leitura que fiz na mesma época.

Eu sofro pela impossibilidade de cada dia poder ser uma coisa. De acordar chef de uma risotteria e ir dormir estilista da grife de nome descolado.

A gente sufoca as possibilidades pra virar especialista em carimbos de tinta preta. Ou rosa. Ou roxa. Dos três, não dá.

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no fundo de cada coisa, há toda coisa real ou possível

agosto 25, 2009

“O organismo define-se pela sua capacidade de dobrar suas próprias partes ao infinito e de desdobrá-las não ao infinito, mas até o grau de desenvolvimento consignado à espécie” (Deleuze, em “A Dobra”).

As dobras de Leibniz são os mil platôs de Deleuze e Guatarri – e as mônadas de Tarde: o mundo todo está dentro daquilo que é mais simples e o que se vê é sempre apenas uma parte. A revelação depende da perspectiva, da parte que é iluminada. Assim como os detalhes de uma obra barroca.

Os vídeos são um registro da revista italiana Domus. Em um artigo sobre a web 3.0, ela criou esse design em que um texto se desdobra em vários outros – e uma imagem, em várias outras. As outras imagens e os outros textos sempre estiveram ali. Sempre estiveram contidos no papel.

Por isso é que Gabriel Tarde diz que “no fundo de cada coisa, há toda coisa real ou possível”.

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antropologia e arte

agosto 19, 2009

Saiu o primeiro número da Revista Proa, a revista de antropologia e arte nascida a partir de um grupo de estudos de alunos do meu querido IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas), da Unicamp.

Além dos artigos científicos, a revista conta com duas exposições virtuais: a de Clotilde Lainscek e a de Gavin Adams. As fotos abaixo são da Galeria da Clotilde.

Leiam e divulguem =)

Sem título, 1994.

Fotografia: Rômulo Fialdini

Sem título, 2003

Fotografia: Fernando Pião

Sem título, 1998

Fotografia: Clotilde Lainscek

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para ler os clássicos

agosto 9, 2009

toda a solenidade necessária para ler os clássicos ou “as bibliotecas mais lindas do mundo”:

HANDELINGENKAMER-TWEEDE-KAM ()Handelingenkamer Tweede Kamer Der Staten-Generaal Den Haag, the Hague, Netherlands

900888676_ce0f02a9d0George Vanderbilt’s Biltmore House Library, Asheville, N.C., USA

BNF-PARIS ()Bibliothéque Nationale de France, Paris, France

Herzog August Library, Wolfenbüttel, GermanyHerzog August Library, Wolfenbüttel, Germany

Peabody LibraryGeorge Peabody Library, Baltimore, Maryland, USA

Queen's College Library, OxfordQueen’s College Library Oxford

Sansovino's Library 2Sansovino Library, Rome, Italy

Real Gabinete Portugues De Leitura Rio De Janeiro 3Real Gabinete Portugues De Leitura Rio De Janeiro, Brazil

aqui, via @tuttyupie.