Posts Tagged ‘conflitos’

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de greves e prozacs

junho 9, 2009

greve é isso: há os que entram em depressão e há os que fazem da tristeza algo propositivo. eu oscilo. vomita-se números, projetos de leis que nos tocam de maneira negativa, histórias de vitórias e de fracassos passados, experiências pessoais nessa ou naquela manifestação/ocupação/etc. disputa-se de quem é a postura mais vanguardista, mais equilibrada, mais conservadora, mais aglutinadora. discorda-se de tudo para concordar depois, com outras palavras. e ninguém, nunca, chega a um acordo. “o dissenso é o coração da democracia”, grita alguém. chovem trocas de acusações, os hormônios pulsam, as vozes se exaltam, o frio chega, o sol se vai e alguém retoma aristóteles para dizer que assembleia só funciona com poucos. com muitos, não dá. aí não dá pra tomar decisão aqui nem ali. mas tem que tomar. e marca-se uma nova data pra discutir o que já foi discutido e decidido, que é para as pessoas terem tempo de repensar e mudar de opinião. serem convencidas. ostensivamente convencidas. criam comitês disso e daquilo pra descentralizar as decisões, mas a gente só pode decidir em assembleia – aquela que não funciona. e a gente protela. protela. protela. e só fica cada vez mais triste, mais impaciente, mais certo de que o futuro é tenebroso. e as pessoas voltam para casa e continuam a trabalhar em silêncio. trocam as assembleias, os fóruns, as reuniões, os comitês, as comissões, as ações diretas, pelo conforto da solidão. porque é difícil, muito difícil, viver em coletivo.

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lógica wicca

maio 26, 2009

Genial a campanha da Big Ant International para o fim da guerra do Iraque. Vai bem na lógica Wicca: tudo o que você me faz (e me deseja) de mal, volta em dobro pra você. Ganhou prêmio do One Show Design Awards.

Vi em The Inspiration Room, via ffffound.

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escorregando no servo-croata

julho 17, 2008

Para constar nas buscas do google, para que futuros pesquisadores não passem pelo vexame que eu acabei de passar: autogestão na antiga Iuogoslávia é equivalente a “samoupravljanje” e não a “samoupravlje”. Estamos entendidos?

Aparentemente, além da guerra que mata gente e verte sangue (é sempre bom usar o verbo no tempo correto) há uma guerra lingüística nas terras do general Tito. Assunto muito complicado, mas a indicação é a de que os bósnios e montenegrinos se valeram da construção de diferenças lingüísticas para justificar sua autonomia nacional. Eles romperam o acordo de unidade lingüística servo-croata (similar ao que o Brasil acaba de assinar com os outros países de língüa portuguesa) para introduzir aí um elemento de unidade nacional: os lingüístas tiraram umas consoantes, botaram outras e záz (como diria o Quico, do Chavez). Daí todo mundo escrever “samoupravlje”, palavra que não existe no dicionário servo-croata, ao invés de “samoupravljanje”.

Para complicar ainda mais: quem me contou essa história foi uma professora sérvia da Universidade de Belgrado (é. pois é).