Archive for março \29\UTC 2010

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penny lane forever…

março 29, 2010

E daqui pra frente sempre vai rolar uma lágrima quando eu escutar Penny Lane. Porque a gente fez uma magical mistery tour por Liverpool e se encheu de vida. E quis abraçar o Ringo, tão hostilizado o Ringo. Ele, que vai ter a casa da infância demolida. O quarteirão todo da infância demolido e ninguém nem liga. Enquanto isso, o Casbah da mãe do Pete Best continua lá, de pé, como um museu vivo, cuidado pelos irmãos que adoram conversar com beatlemaníacos que não estão nem aí pro pobre Ringo, the joker, quase uma yoko ono infiltrada. yoko que faz doações milionárias pra preservar o hospital que  o John nasceu e transformá-lo em moradia estudantil. yoko que, dizem as fofocas, comprou strawberry fields forever pra transformar numa casa que ensina música e arte pra crianças carentes. ela que nem morou ali e nem faz parte daquela história. ela e Paul, que todo dia 3 de fevereiro vai até o Liverpool Institute pra entregar o diploma na escola que ele ajudou a reabrir e na qual ele conheceu George. eles que iam até a escola pegando o mesmo ônibus que o John, no Roundabout de penny lane, onde a enfermeira vendia pirulitos de várias cores. o roundabout que fica na frente da barbearia, que expunha as cabeças de todos os clientes em fotografias na porta e que continua lá, com um preço inacreditável de 5,50 pounds para boys. mas John, Geroge e Paul só tiveram cabelo bítu na viagem de hamburgo, de onde foram expulsos depois de Paul e George botarem fogo no porão sem janelas no qual moraram. e depois o pete também foi. e aí veio o ringo. e o pai do ringo, que o abandonou em tenra idade pra ir morar com a amante na casa da frente, transformou a casa em que o ringo nunca morou em museu dos beatles. escrevendo beatles nos tijolinhos da casa que vai ser demolida. quarteirão inteiro de casas que não tinham banheiro quando o rio de janeiro já fazia reforma sanitária. enquanto isso, as casas de infância do paul e do john são museus muito disputados. só consegue entrar quem agenda com seis meses de antecedência. nem ligo. nem ligo porque o importante é saber que o john bebia escondido atrás do túmulo da eleanor rigby, grande o suficiente pra escondê-lo da polícia. john tocava de frente pra esse cemitério, escondido atrás da paróquia de St. Paul, igreja anglicana. tocava ali com os quarry men nos festivais da igreja. e foi num desses que conheceu Paul, que escreveu a letra de Eleanor Rigby consertada por John, que não queria father McCartney na letra. queria father McKenzie, da paróquia católica, vizinha dessa. e eles se conheceram naquele salão da paróquia anglicana, no fim da festa, apresentado pelo velhinho que estudou com o John e que continua vivo, apesar do câncer na garganta, e que cuida até hoje do lugar como se fosse seu. que se emociona até hoje de contar que estava lá quando paul e john se conheceram. quando paul tocou guitarra prum lennon descrente. e a gente nem precisou agendar com seis meses de antecedência pra pisar naquele chão e conhecer aquele senhorzinho. ele, que estudou com john, que pulava o muro do orfanato de strawberry fields pra brincar com as outras crianças e que fazia crescer o número de internos na hora da contagem. ele que levava bronca da tia Mimi porque ia ficar pendurado no portão. ele que dizia “there’s nothing to get hung about” e que era órfão de abandono por parte de pai e de assistência social por parte de mãe. e, mais tarde, de atropelamento por parte de mãe. ele que escreveu sobre tudo isso com mccartney em penny lane. eles que se encontravam no roundabout, que se encontravam pelos caminhos debaixo daquele céu azul suburbano pra comer four of fish and finger pies. e o chinês que fazia a comida ainda é dono do lugar, agora cuidado pelo filho por conta da idade avançada. penny lane, agora, is in my ears and in my eyes. and there’s nothing to get hung about…

DSC06384hospital em que lennon nasceu, agora moradia estudantil

DSC06393à direita, escola de artes em que Lennon estudava. logo depois, Liverpool Institute, escola de Geroge e Paul

DSC06401casa do pai do Ringo transformada em “museu” dos beatles. pai que ringo nunca quis conhecer

DSC06449palco dos quarry men, hoje invadido pelos túmulos que o cercavam

DSC06446túmulo da eleanor rigby, onde lennon tomava uns pints escondido da polícia

DSC06413four of fish and finger pies

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foi aqui, bem aqui, aponta o senhorzinho, que lennon e paul se conheceram…

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make up disasters

março 23, 2010

Eu não tenho fotos.

Não tenho provas.

Mas quem quiser uma amostra basta pegar a Picadilly Line no sábado à noite.

Não é só a Lily nem a Gaga. Agora as meninas também fazem aquela “maquilagem” na cara.

Para as divas é um luxo.

Para as mortais, parece que você acabou de sair da festa do seu primo de 5 anos e se deixou maquiar pelos palhaços.

Fica mais ou menos assim:

Qual é a música? “Rah-rah-ah-ah-ah-ah! Rama-ramama-ah… GaGa-ooh-la-la!”

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London School of Samba

março 21, 2010

Guanabara é uma balada brazuca que faz muito sucesso por aqui. Caipirinha vira afrodisíaco, salsa vira samba e capoeira vira dança.

O importante é que o som é ótimo e a galere vai à loucura. Danças do acasalamento all over the place.

Estivemos lá nesta sexta e fomos surpreendidos com um concurso de samba-enredo para o carnaval de Notting Hill – que acontece todo último final de semana de agosto. Tentei sambar. Sambo mal, mas sambo sim. Mas não deu. Deu-se que o samba era batuque  (Bateria, nota 7) alá Timbalada e o coração do cara era verde e branco. Duvidam? O vídeo tá péssimo, mas dá uma idéia do clima:

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chupa IPEA

março 12, 2010

No começo deste mês, o jornal gratuito daqui, o Evening Standard, publicou uma série de reportagens sobre a pobreza nos UK. A primeira capa, que pretendia cativar a compaixão do público para o assunto, relatava o enterro de crianças. Óbvio que é sempre muito triste ler sobre o enterro de crianças, e ainda mais óbvio para um cérebro latino-americano que a equação “pobreza” + “enterro de crianças” = elevada mortalidade infantil. Não era. A matéria que abria a série sobre a pobreza queria chamar a atenção para o fato de que ainda existem valas comuns coletivas no país. E cobrava o fim delas.

Vocês podem imaginar qual foi o tamanho do meu estranhamento ao ler essas páginas. E ele não parou por aí. Os pobres que o jornal descrevia não eram os pobres que a gente conhece. Aqui, eles vivem em habitação social (que, obviamente, estão longe de ser lugares decentes para morar, mas não são favelas nem ocupações ilegais) e contam com um auxílio do governo para pagar o gás (aquecimento), e as contas de água e luz. Rola ainda um subsídio para comer – e ele varia conforme a família.

Eu não conheço esses programas nem sei se eles funcionam tão bem assim. Mas o fato é que o jornal não estava fazendo denúncia do mal funcionamento dessa política social. Estava pedindo mais. Estava dizendo que era um absurdo os jovens não poderem ingressar nas universidades porque não têm 19 pounds para pagar a inscrição. Estava dizendo que era um absurdo não se ter qualquer trocado para ir ao cinema, ao teatro, comer fora de casa etc. Fiquei chocada. Chocada porque esperava que fosse encontrar um estado de bem-estar social destruído, como eles descrevem, e o que eu vejo é um estado do tamanho de meu deus ajudando as pessoas a terem uma vida digna. Chocada porque esperava que na terra da doutrina liberal, as pessoas fossem cobrar do governo crescimento do PIB, controle da moeda e mercado livre como medidas de política social. Mas não. Me enganei. Essa cobrança é brasileira. Essa cobrança é a cobrança que pede a cabeça do Bolsa Família. Eles não cobram casa, comida e escola. Cobram mais.

Me lembrei, de imediato, das aulas que tive com o professor Waldir Quadros, do Instituto de Economia da Unicamp. Ele foi um dos únicos economistas  a se posicionar contra as tão largamente divulgadas pesquisas do IPEA de que a pobreza havia diminuído e a classe ‘c’, aumentado. Com umas contas danadas, ele mostrou como, na verdade, nada mudou. E um dos cambalachos da equipe do Pochmann (que, junto  com o Waldir, foi um dos melhores professores que tive na vida) para fechar a conta foi manter a linha da pobreza em meio salário mínimo (hoje, R$ 255). Por unidade doméstica. Assim, se você ganhar mais de meio salário mínimo numa casa com 4 pessoas, você é classe ‘c’ e pode comprar um celular 3G em até 48X num crediário das Casas Bahia. E virou o rei do consumo.

Só sei que enquanto o IPEA ajeita a conta pra colorir os ganhos sociais do governo Lula, fecho este post com um dado. E vocês tirem a conclusão que quiserem disso – a minha está mais do que clara. A linha de pobreza na Inglaterra – que varia conforme o tamanho da família – é de 115 libras (345 reais) por semana para um adulto que vive sozinho, e de 279 (840) para um casal com dois filhos. O salário mínimo do Brasil é de 510 reais.

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china in box

março 6, 2010

Como vocês puderam conferir no último post, nesta quinta-feira fomos convidados para jantar na casa da Tina, uma jornalista chinesa que também está fazendo seu mestrado na LSE.

Ficamos como guests, apenas descascando o alho e observando ela preparar, em 30 minutos, um banquete.

Tivemos uma seleta de legumes regado ao molho de soja; peixe comprado em chinatown, cozido no vapor, temperado com (tchã-nã!) soja, gengibre e outras especiarias que não ousaria traduzir pro portunglês; costelinha de porco e tofu ao molho agridoce e noodles ao molho de um omeletão de legumes ligeira e perfeitamente fatiados por nossa hostess.

Comi a melhor comida chinesa da minha vida. Me deliciei, pela primeira vez, com costelinha de porco, e juro que nunca comi um peixe tão bom. E o melhor de tudo foi aprender a comer à chinesa: é tudo coletivo. Você vai pegando as porçõezinhas do que quiser com seus chopsticks e vai mandando pra dentro.

DSC05654Chop chop chop

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Nossa Hostess em ação

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Nosso private chinese banquete =) (comida pra 4!)

Nota importante: wilson e tina nos ensinaram que hashi significa “PERNAS”. agora a piada óbvia : daqui por diante, favor só usar o hashi pra comer entre quadro paredes =O

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What's your name?

março 5, 2010

A Ásia inteira baixou aqui e, andando pelo centro de Londres, o que você menos vai escutar é alguém falando inglês british de raiz. Esse a gente só ouve quando vai fazer compras na perifa (conto mais em outro post) – ou quando eu vou para Milton Keynes, cidade onde fica a universidade que frequento aqui nos UK (essa história tb fica pra outro post). E se os asian sounds não são nada fáceis de se entender, imagine então chamar um asian friend pelo seu nome real.

Pois é. Ontem fomos convidados para jantar na casa de uma colega do Leandro, a CaixinChuan (acho). Ela estava com um amigo, chinês como ela, cujo nome só conseguiria traduzir em sons de vogais entremeados de ‘x’ õxíxãxõ. Pois bem, nos apresentamos, mas passei a noite inteira sem conseguir pronunciar o nome de nenhum dos dois. E é bem tenso ter que chamar alguém de ‘você’ o tempo inteiro. Acho um tanto quanto indelicado. Mas era isso ou a mudez absoluta.

Enfim, após degustarmos o melhor da comida chinesa feita em casa (a menina é um talento culinário), chegaram uns amigos da chinesa e ela foi nos apresentar. Disse: “essa é a Bárbara e esse é o…. bem, se apresente você! Aliás, você não tem um English name?”. “Não, não tenho, só uso o Leandro”. “Ok, then”. Pronto. Descobri que ela era a Tina e o amigo dela, Wilson. English names. Mas não como João Kenjie ou Ana Tamie, essa coisa toda brasileira, registrada no papel. Não. Você escolhe o nome que bem entender, o que mais gostar, o que sempre quis ter. Pois bem, nessa de pick you name, decidimos que a partir de hoje Leandro is George e I am Victoria.

Nice to meet you =)