Archive for agosto \30\UTC 2008

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8 de setembro

agosto 30, 2008

Meu aniversário está chegando e, em uma dessas surpresas que só a internet faz para você, encontrei um teste horroroso, mas irresistível: 142.150 pessoas morreram no dia em que eu nasci. Além dessa conta, eles ainda fazem uma coluna Caras dos que morreram no dia do seu aniversário. De todos, só conheço a Leni Riefenstahl, a cineasta do Hitler, que eu jurava estar viva  – minha memória não é o meu forte.

Segue a lista  e o link, para os curiosos:

Unusual Deaths in 1984

  • Tommy cooper collapsed from a massive heart attack in front of millions of television viewers, midway through his act, on the popular itv variety show, live from her majesty’s. at first the audience assumed he was joking.
  • Jon-erik hexum, an american television actor, died after he shot himself in the head with a prop gun during a break in filming. hexum apparently did not realize that blanks use paper or plastic wadding to seal gun powder into the shell, and that this wadding is propelled out of the barrel of the gun with enough force to cause severe injury or death if the weapon is fired at point-blank range.

Natural disasters in 1984

  • Carolinas Tornado Outbreak
  • Late November 1984 Nor’easter

People who died on September 08 (various years)

  • 2007 – Ramón Cardemil, Chilean huaso
  • 2006 – Erk Russell, American football coach
  • 2006 – Frank Middlemass, actor
  • 2006 – Peter Brock, Australian racecar driver and TV personality (rally accident)
  • 2006 – Hilda Bernstein, English-born South African author, artist, and activist
  • 2005 – Noel Cantwell, Irish cricketer and footballer
  • 2004 – Frank Thomas, American animator
  • 2003 – Leni Riefenstahl, German film director
  • 2003 – Jaclyn Linetsky, Canadian voice actress
  • 2002 – Laurie Williams, West Indian cricketer
  • 1999 – Moondog, American composer, musician and poet
  • 1991 – Alex North, American composer
  • 1985 – John Franklin Enders, American scientist, recipient of the Nobel Prize in Physiology or Medicine
  • 1983 – Antonin Magne, French cyclist
  • 1981 – Hideki Yukawa, Japanese physicist, Nobel Prize laureate
  • 1981 – Roy Wilkins, American civil rights activist
  • 1980 – Willard Libby, American chemist, Nobel Prize laureate
  • 1979 – Jean Seberg, American actress
  • 1977 – Zero Mostel, American actor
  • 1969 – Alexandra David-Néel, French explorer and writer
  • 1969 – Bud Collyer, American television game show host
  • 1965 – Hermann Staudinger, German chemist, Nobel Prize laureate
  • 1965 – Dorothy Dandridge, American actress
  • 1949 – Richard Strauss, German composer
  • 1948 – Thomas Mofolo, Lesotho writer
  • 1943 – Julius Fucik, Czech journalist (executed)
  • 1933 – King Faysal I of Iraq
  • 1894 – Hermann von Helmholtz, German physician
  • 1888 – Annie Chapman, widely believed to be the second victim of Jack the Ripper
  • 1882 – Joseph Liouville, French mathematician
  • 1853 – Frédéric Ozanam, founder of the Society of Saint Vincent de Paul
  • 1811 – Peter Simon Pallas, German zoologist
  • 1784 – Ann Lee, American religious leader
  • 1780 – Enoch Poor, American Continental Army general
  • 1761 – Bernard Forest de Bélidor, French engineer
  • 1755 – Ephraim Williams, American philanthropist
  • 1739 – Yuri Troubetzkoy, Governor of Belgorod
  • 1721 – Michael Brokoff, Czech sculptor
  • 1682 – Juan Caramuel y Lobkowitz, Spanish writer
  • 1675 – Amalia of Solms-Braunfels, countess of Solms-Braunfels
  • 1656 – Joseph Hall, English bishop and writer
  • 1645 – Francisco de Quevedo, Spanish writer
  • 1644 – Francis Quarles, English poet
  • 1645 – John Coke, English politician
  • 1637 – Robert Fludd, English mystic
  • 1613 – Carlo Gesualdo, Italian composer
  • 1603 – George Carey, 2nd Baron Hunsdon, English politician
  • 1539 – John Stokesley, English churchman
  • 1425 – King Charles III of Navarre
  • 1397 – Thomas of Woodstock, 1st Duke of Gloucester.
  • 780 – Leo IV, Byzantine Emperor
  • 701 – Pope Sergius I
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o ministério da saúde adverte: ler luiz felipe pondé faz mal à saúde

agosto 25, 2008

Luiz Felipe Pondé, intelectual superstar, estreou hoje coluna na Ilustrada. Começou muito mal. A começar pela foto no texto ao lado, de cachimbo, fingindo uma erudição e dignidade que os livros ao fundo jamais lhe conseguirão dar. Os acadêmicos das ciências humanas precisam perder essa mania de fumar charuto cubano, beber vinho francês, comprar livro sem desconto e morar nos Jardins ou em Higienópolis. Precisam aprender que inteligência não vem da freqüência com que se vai à Sala São Paulo ou ao aeroporto de Congonhas. Que a capacidade de analisar a realidade não nasce do vidro blindado do carro importado ou da conversa com a empregada doméstica. E que não, não é normal pagar R$60 em um panetone e R$5,50 em um cafezinho expresso.

Pondé, o intelectual que quer chegar aos 70 com a boca torta, como Hobsbawn, gosta de causar. Seu recalque com o pensamento crítico é tão grande, que ele acaba imaginando argumentos que não estão postos para a teoria social. Foi o que fez hoje, ao atacar o uso do conceito gênero e o seu significado. Disse ele:

De repente é a “ideologia” que ensina você a “escolher” o sexo. Mentira: ninguém “escolhe” o sexo. A palavra “ideologia” deveria ser acompanhada com frases do tipo “o Ministério da Saúde adverte…”. A facilidade com a qual deixamos de falar em “sexo” e passamos a falar em “gênero” (sexualidade construída socialmente) revela a superficialidade da idéia”

Não, Pondé. Não é a ideologia que ensina a gente a escolher o sexo. E ninguém que construa a teoria do gênero disse que podemos “escolher” o sexo. A discussão não é essa, e sim, a da imagem do feminino e do masculino. Ninguém nega a anatomia humana. O que se contesta é a naturalização de comportamentos e de uma moral que regem, com disciplina imperdoável, o que se deve ou não ser ou fazer, a partir de um detalhe anatômico. A teoria do gênero, não à toa, é fortíssima entre as feministas e os militantes do movimento GLBTT, representantes da parcela mais oprimida pelos efeitos comportamentais e posições sociais que um hormônio ou um membro sexual pode definir. O que se busca, e aqui vou ser bem rasa, é desconstruir o vínculo existente entre anatomia e comportamento, entre o que a biologia diz que é e o que os homens definem que se deva ser. Ninguém ignora a testosterona. O que se faz é ampliar o horizonte de pensamento e entender como a sociedade e suas implacáveis leis definem  o nível de agressividade dos homens, por exemplo. Quem nunca ouviu falar de um pai que sorriu quando o filho brigou na escola ou que castigou a menina que cuspiu na rua, pra imitar o progenitor?

Antes o “gênero” tivesse se tornado um pensamento da moda, como diz Pondé. Antes fosse assim, porque não é o que eu vejo por aí, no dia-a-dia, na telenovela, nas páginas dos jornais ou nas conversas em família. Seria motivo de comemoração. Se as escolas e os pais entendessem que menino brincando de boneca não é doença e que as meninas podem jogar futebol, viveríamos em um mundo melhor.

Confundir “ideologia” com “socialmente construído”, Pondé,  é se valer de um recurso que não condiz com sua seara: é desonestidade intelectual. Confunde para atacar aquilo que, ou não aceita e não sabe revidar, ou desconhece e desdenha por puro preconceito. Não consigo decidir qual das duas coisas é pior.

Bela bola fora do intelectual de vitrine. Que exibe sua pose para foto no melhor modelo “o intelectual na era da sua reprodutibilidade técnica” ou “a cópia da cópia”, que nunca consegue ser o que pretende ser.

Em uma coisa ele acertou: a universidade não é um lugar democrático. Os anos que ele passou nela enclausurado e as conseqüências dessa vivência estão aí, escancaradas nesse texto. Pondé, fica um convite: venha conhecer o Pagu ou dê um pulo em Floripa que recebe esta semana toda o encontro “Fazendo Gênero” Vai te fazer bem: se o dissenso faz parte da democracia, conhecer o argumento do outro nunca é demais…

 

 

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visionárias

agosto 21, 2008

Hoje foi a vez da outra avó: “ah, hoje elas não vão marcar gol, não”. Assim, sem justificativa. Dá-lhe bruxaria…

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Minha avó é o PVC

agosto 20, 2008

Ontem estava saindo de casa enquanto começava o jogo do Brasil. Eu não assisti nenhum minuto porque estava correndo de um lado pro outro para me arrumar, encontrar os livros e textos certos para levar pra Unicamp e ajeitar tudo isso na mochila sem deixar amassar. Ía deixar minha avó, a Lia, na casa da minha tia, por isso a correria. Ela estava assistindo ao jogo quando cheguei na sala e chamei: “vamos, vó?”. Ela via tudo ao lado da minha outra avó, Thereza. É raro ter as duas juntas assim. Ainda mais na minha casa. Mas não é isso que vem ao caso. Dei conta do jogo, soltei uma frase qualquer do tipo “nossa, já começou?” e minha vó Lia sentenciou: “Parece que o outro time tá jogando melhor, viu?”. Eu ri. Acho que duvidei. Ela percebeu e continuou: “É sim, eles estão correndo mais, olha lá”. Não dei muita bola porque estava com pressa e porque, confesso, estava torcendo pra Argentina (eu sei, eu sei…). Quando descobri os três à zero, lembrei na hora da profecia da minha avó. Não era profecia nada, foi só preconceito meu. Feio. Muito feio. Me esqueci de lembrar que ela passou sua vida inteira ouvindo jogo no rádio, vendo o Parmera na TV, e indo ao campo levar comida e água para o meu avô, que treinava o time de futebol de várzea local. E que, depois da morte dele, os quadros, pôsteres, copos, chaveiros e cores do Palestra, não saíram da casa. Era a paixão dele, que ela respeitava e compartilhava. Tanto, que aprendeu a analisar uma partida em cinco minutos. E não é sexto sentido. É experiência. Parece que a Argentina jogou melhor porque correu mais. Foi o que fiquei sabendo mais tarde pela imprensa especializada. Minha avó tinha razão. Eu deveria saber: ninguém melhor do que ela para falar de futebol.

PS: Na foto, meu avô, o vô Tonho, com seu time de futebol da “Big Apple” (como eu e meu pai gostamos, carinhosamente, de chamar São Benedito das Areias).

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comment tromper le temps

agosto 18, 2008

just between you and me, babe.

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imperialismo interplanetário

agosto 12, 2008

É associação livre velha, mas não perdida. Porque é pauta de hoje e sempre com um amigo: Marte é terra em que se plantando, tudo dá. Vi cana plantada em chão de cor igual em Ribeirão Preto. E era cana pra mais de kilômetro. Terra vermelha. Cana a perder de vista. O foco agora é na reentrada, pra não perder a produção toda por conta de uma inclinação a mais no ângulo. Mas acho que já dá pra lotear e vender tudo. Como tem igreja que vende terreno no céu. Dá até pra botar boi pirata pastando. Uma beleza de latifúndio improdutivo. E não precisa botar uma árvorezinha da amazônia no chão. Só falta agora o homenzinho do colete cafona ler este post e comprar esta idéia.

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para ressignificar as despedidas

agosto 1, 2008

já quis ser tanto texto escrito, tanta frase simples, tanta poesia. tanta frase solta, tanta linha torta, tanta imagem imaginada que nem me atrevo. nem me atrevo a escrever um texto, inventar uma frase simples, ensaiar alguma poesia. talvez se eu não tivesse lido o pouco que li, ainda desse pra inventar alguma inspiração que desse em alguma coisa não tão ridícula assim. mas não posso fingir que não passei os olhos pela Adélia Prado. ela escreveu para o zé. escreveu para mim. e não podia ter melhor frase sem contexto do que essa, que empresto pra quem quiser ler e entender com o coração. porque tem dias que a cabeça viaja longe no tempo, procurando o sentido dessa pontada que a saudade dá no peito e que a gente tem que acalmar com o que se lembra. e eu nunca que ía pensar em algo tão singelo. nunca que ía conseguir explicar um sentimento de um jeito tão delicado assim.
“Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.”
(Adélia Prado, “Para o Zé”, Poesia Reunida).