Archive for maio \26\UTC 2009

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lógica wicca

maio 26, 2009

Genial a campanha da Big Ant International para o fim da guerra do Iraque. Vai bem na lógica Wicca: tudo o que você me faz (e me deseja) de mal, volta em dobro pra você. Ganhou prêmio do One Show Design Awards.

Vi em The Inspiration Room, via ffffound.

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intervalo para um merchan

maio 22, 2009

Quero dividir uma descoberta com vocês.

A Discurso Editorial, por iniciativa de um grupo de professores da FFLCH da USP, está editando o “Jornal de Resenhas” – aquele que circulou na Folha de S.Paulo entre 1995 e 2004 em parceria com a USP, Unesp, UFMG e Unicamp.

A primeira edição saiu em março deste ano e é um primor. Tem 16 resenhas assinadas por Sergio Micelli, José Murilo de Carvalho, Bresser-Pereira, Sidney Chalhoub, Heloísa Pontes e outros, analisando livros diversos. Para se ter uma ideia de como o jornal também é alimentado com resenhas de livros que não tratam diretamente de teoria social, há análises dos textos da juventude de Borges, e dos livros “Amuleto”, de Roberto Bolaño, e “O Filho Eterno”, de Cristóvão Tezza.

Em tempos em que está todo mundo comprando a Revista Serrote, o jornal é um alento: custa apenas R$ 3,00 e está a venda em livrarias e bancas de jornais. Não descobri em quais nem qual é a peridiocidade do jornal, mas dá pra perguntar no discurso@usp.br.

Ah! No site da Discurso dá pra comprar os livros que reúnem os textos que circularam na Folha. E não é caro.

Em tempo: Leandro mandou o e-mail e avisa que o “Jornal de Resenhas” está à venda na Livraria Cultura e na Martins Fontes.

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Madagascar e a loucura do trabalho

maio 20, 2009

Christophe Dejours escreveu “A Loucura do Trabalho” em 1980 depois de estudar as enquetes clínicas solicitadas pelos próprios trabalhadores na década de 1970, na França. Ele concluiu que, apesar da pressão gerada pelas novas formas de organização do trabalho, os trabalhadores criavam mecanismos defensivos, em sua maioria, coletivos, para se proteger dos danos mentais e morais que a nova lógica flexível podia causar.

Hoje ouvi uma história triste. De um grupo de trabalhadores que, ganhando menos que um veterano da empresa – que está lá há 30 anos -, lhe disseram que adorariam que ele fosse demitido para que pudessem dividir seu salário entre eles. 

Este homem chegou em casa e assistiu “Madagascar” com a família. Enquanto assistia, se sentiu na pele da zebra, sempre perseguida pelo amigo leão. Depois disso, ele e o outro amigo veterano desenvolveram, com bom humor, uma fórmula teatral, bem didática, para mostrar aos companheiros de serviço a irracionalidade e a deslealdade contidas no desejo deles: levam leões e zebras de pelúcia e simulam perseguições e massacres de mentirinha.

Não sei se a ficção vai fazer surtir o efeito que a opressão e a falta de perspectivas surtiram nos pesquisados de Dejours: a noção de que todos estão iguais na merda e que, para sair dela, é preciso recuperar a noção de coletivo que o individualismo do final do século XX fez a gente esquecer.

Se nem mesmo os colegas de trabalho que desempenham as mesmas funções conseguem perceber os problemas que lhes são comuns, que dirá a sociedade como um todo?

É difícil viver em coletivo, mas a solidariedade não pode se perder em mesquinhezas. Nem de brincadeira. O custo disso é muito alto. Talvez Hobbes fosse um visionário. A guerra de todos contra todos, uma abstração que ele usou como muleta filosófica, ganha traços cada dia mais bem elaborados.

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do que permanece

maio 18, 2009

“Ay del sueño”

 

Ay del sueño

si sobrevivo es ya borrándome

ya desconfiado y permanente

y tantas veces me hundo y sueño

muslo a tu muslo

boca a tu boca

nunca sabré quién sos

 

ahora que estoy insomne

como un sagrado

y permanezco

quiero morrir de siesta

muslo a tu muslo

boca a tu boca

para saber quién sos

 

Ay del sueño

con esta poca alma a destajo

soñar a nado tiernamente

así me llamem permanezco

muslo a tu muslo

boca a tu boca

quiero quedarme en vos

(Mário Benedetti, Geografías).

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ora bolas, não me amole!

maio 16, 2009

Do ótimo Indexed, pra alegrar a manhã de sábado. 

Só faço um reparo: a proporção das bolas está invertida, né?

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a novela e a vida

maio 15, 2009

1993 foi o ano que mudou minha vida.

Benedito Ruy Barbasa estreou Renascer (“airá, cairá, iuleio leio lá”)com o João Pedro pisando cacau no terreiro e o Tião Galinha criando o diabo dentro da garrafa. 

Tinha lá meus nove anos e meu corpo começava a dar os primeiros sinais de mudança. O meu, o das minhas coleguinhas e o dos meus coleguinhas. As meninas estavam ficando peitudas e os meninos, peludos. Eu não estava ficando peituda. Mas estava ficando peluda!

Foi aí que veio o choque. Além do Tião Galinha e do João Pedro, a novela tinha a Buba no elenco. Foi então que eu tive uma iluminação, um amparo, alguém com quem me identificar: a Buba!

Foi uma tortura. Vivi uns bons meses com a dúvida: seria eu hermafrodita?

Eu, àquela época, não frequentava clube nem fazia atividade física que implicasse vestiário. Também não tinha computador em casa (386?), não existia internet de massa, muito menos o Google (por que, meu deus, por que?). Aí, a imaginação correu solta e a Maria Luísa Mendonça era a única pessoa do mundo que podia entender minha angústia. Ah, Buba, e como eu entendia a sua…

A pulga só saiu de trás da orelha depois da primeira menstruação. Acho que até chorei, de tão feliz que fiquei de saber que era menina. Mas hoje, olhando pra trás, só penso nesse outro grande mal que a formação em um colégio católico tradicional me fez. A repressão era tanta que tinha medo de me expressar. Uma conversa com a mãe resolveria nessas horas, mas e o medo de todo mundo descobrir que eu era o terceiro sexo? 

Obrigada, Buba, por ter segurado a minha mão naqueles tempos difíceis. Você foi a heroína da minha pré-adolescência.

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ah, l'amour

maio 15, 2009

Caê, quando deu início à sua melhor fase estética (e como!), empresta sua voz de veludo pra responder à Sthefany. Ou de como a dor de cotovelo também pode ser bonita…