Posts Tagged ‘alteridade’

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todo dia ela faz tudo sempre igual…

julho 8, 2009

“Being a woman in Iran is hard, and working as a woman photographer is even harder”.

Shadi Ghadirian, 35, trabalha e vive em Teerã como fotógrafa. No Irã, o exercício da profissão é submetido a um rígido código e sua não obediência custa o expurgo da vida profissional. Shadi não pode registrar, por exemplo, o cabelo das mulheres, nem mostrar mulheres em contato físico com homens. Por ser mulher, também não pode viajar sozinha, muito menos hospedar-se em um quarto de hotel desacompanhada do marido.

Em entrevista ao Telegraph, em 2007, conta como driblou as regras pra fazer sua arte política feminista. As fotos abaixo são da série “Like Everyday”, em que ela registrou os tradicionais véus acompanhados de objetos domésticos. O registro é o da dupla submissão: à sharia e aos homens.

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Fotos da Saatchi Gallery. mais, na Bravo! deste mês.

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Era uma vez, em São Benedito das Areias

abril 15, 2009

“Feche a janela e a porta e apague a luz para os espíritos não entrarem. Fique em silêncio, pecador. Nessa casa tem um pecador.”

Foram essas frases musicadas que minha avó ouviu durante a semana santa. Um grupo de nove homens saiu do cemitério trajado de roxo, em fila indiana, cantarolando isso no meio da noite. Passaram em todas as casas do arraial sem olhar para trás, senão os espíritos os seguiriam. Não podiam ser vistos por ninguém, senão os espíritos entraríam em suas casas. No pé da janela de cada casa, entoavam essa canção com voz rouca e tremulada. Emendavam algumas ave-marias e pais-nossos e tocavam a caminhada. Na sexta-feira santa terminaram o percurso no lugar em que começaram: o cemitério. No dia em que recebeu a visita desses homens vestidos de roxo, vovó apagou as luzes, fechou as portas e janelas, rezou as ave-marias e pais-nossos e achou graça de eu dizer que morreria de medo. Da próxima vez, quero estar lá para documentar.

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zombie walk

junho 26, 2008

Tenho um amigo neozelandês que sempre me dá lições de alteridade. Aprendo muito com ele, mesmo sem ele saber. Além de compartilhar informações do tipo “tem muito imigrante polonês na Inglaterra”, vira-e-mexe ele solta impressões sobre o nosso cotidiano que me fazem generalizar “isso é coisa de brasileiro”.

Ontem, ele diagnosticou nossas eleições. “Sabe o que eu acho? Que a política do Brasil parece filme de terror. Parece que a cada dois anos todo mundo sai do cemitério”.

É. Paulo Maluf que o diga.