Archive for dezembro \30\UTC 2010

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ela lembra

dezembro 30, 2010

Já faz um mês. acho. eu nunca fui muito boa de memória. ela sim. e, no dia em que eu recebi a notícia, fiz muita força pra lembrar. mas foram tantos anos e tantas histórias que eu só lembrava das últimas bobagens. e do último aceno, quando a deixei em casa. “você vem pra campinas logo?”. “Venho”. “então me busca pra um café”. o meu logo não era o logo dela. e a gente se despediu foi ali mesmo, naquela noite fresca, em frente ao mesmo portão onde meu carro, uma vez, me deixou na mão quase de madrugada, e ela me recebeu com um copo de água. eu não sei de onde a gente voltava, mas sei que não era do cinema, programa para o qual nossa compatibilidade era zero. “nunca mais volto ao cinema com você”. só porque eu passei a sessão toda de legalmente loira encolhida de constrangimento na cadeira. e resmungando. mas a gente voltou. claro. e eu nem me lembro pra ver o que. ela se lembraria. e diria o que foi que a carol comprou nas lojas americanas naquele dia – ou queria comprar e não comprou. acho que por fazer um mês, e por ter ido à campinas e não poder ligar para o café, dei de lembrar. como ela. que é porque tenho medo de me esquecer. e acho que ela sabia – sabia, porque era sempre ela quem me lembrava –  e deixou um reinado de escritos programados pra me fazer companhia. pra funcionar como funcionava em londres: eu blogando de lá, ela blogando de . saudade só não basta. a gente vive de memórias. e ainda bem que ela se lembrou disso, antes que eu pudesse me esquecer…

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carta aberta aos encostos

dezembro 28, 2010

ei, eu te entendo. sei como é difícil. machuca.

você fica feliz de vê-la chorar, mas sente culpa. e depois vem um vazio. e aí você preenche com tudo isso de novo. ou dá um tempo e corta o cabelo, ou faz e desfaz suas luzes. ou coloca um monte de fotos no facebook pra mostrar o quanto foi feliz em frente da câmera nova. e continua um vazio. que você preenche com radiohead ou revista de fofoca. com discussões sobre nietzsche ou contos das suas intermináveis aventuras na night. e você enche a cara e se sente livre. grita que se acha incrível atravessando a faixa de pedestres no meio da madrugada. e depois cai no choro. anonimamente. eu sei.

mas, sabe, o amor, o trabalho, a família, o dinheiro, o bicho de estimação ideais nunca vão existir ao mesmo tempo. eu sei que você quer tudo. eu sei que você tem ambição. e entendo que o que te falta é o que te faz querer estar no lugar de alguém. e que dói. e que você, talvez sem maldade, deseje que o feliz seja infeliz como você. mas, sabe, chega disso. chega disso porque ninguém é completo. chega. coragem, sabe? coragem pra se descolar dessa muleta. coragem pra desapegar daquele amor, daquele trabalho, daquele dinheiro. coragem.

seja feliz, por favor, e me esqueça. pra variar. eu não tenho culpa…