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de primaveras

outubro 11, 2012

Há mais de dois anos, enquanto fazia meu intercâmbio doutoral, aguardava o ônibus que me levava do campus da The Open University para a estação de trem de Milton Keynes. Eram os primeiros dias de primavera e no caminho de ida todos os canteiros da cidade mais simpática do interior da Inglaterra já estavam carregados de tulipas coloridas. Ainda fazia muito frio, mas as flores me trouxeram uma esperança inexplicável: era possível superar a frieza do cinza.

O espetáculo mais bonito ainda me aguardava. E ele aconteceu nesse fim de tarde em que eu esperava o ônibus que me levaria de volta ao trem que partiria para London Euston. De repente, o vento frio e suave ficou mais forte e me vi envolta em uma tempestade de sementes de dente de leão. Desmunida de câmera, sentei e apreciei cada segundo daquela beleza. Minha alma sorriu. Dentro do ônibus, vi que os campos da cidade – que é cheia de zonas rurais e parques enormes – elevavam aquela chuva de dente de leão a uma potência ainda maior. Era uma nevasca de pólen, que fertilizava mais vida em territórios vizinhos.

Porque a vida é feita dessas pequenas descobertas, dessas pequenas revelações. E porque a beleza está onde a gente menos espera, como no ponto de ônibus. Só pra gente não se esquecer de nada disso, porque sem encantamentos, a vida não se motiva a seguir adiante…

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