Posts com Tag ‘precarização’

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trabalho e cia.

Junho 10, 2009

No começo do ano me inscrevi naqueles sites de vagas de emprego. Recebi um monte de convites para me candidatar a vagas que nada tinham a ver com o meu perfil profissional. Até aí, ok.

Mas não é que hoje eu recebi um aviso da vaga mais bizarra que já vi na vida?

Se oferece 1 vaga/s para trabalhar em São Paulo na área profissional Ciências, Pesquisa, Ciências Sociais

ser humano disposto a experiências de autoconhecimento e abertura da mente para quebra de paradigmas através da arte

E, pasmem, é pra trabalhar como voluntário em período integral!

Já não bastava minha experiência transcendental com uma vertente de yoga que dizia pra eu sentir minha kumalini (energia) saindo em forma de vento da cabeça? Me chicoteie, jesus!

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Madagascar e a loucura do trabalho

Maio 20, 2009

Christophe Dejours escreveu “A Loucura do Trabalho” em 1980 depois de estudar as enquetes clínicas solicitadas pelos próprios trabalhadores na década de 1970, na França. Ele concluiu que, apesar da pressão gerada pelas novas formas de organização do trabalho, os trabalhadores criavam mecanismos defensivos, em sua maioria, coletivos, para se proteger dos danos mentais e morais que a nova lógica flexível podia causar.

Hoje ouvi uma história triste. De um grupo de trabalhadores que, ganhando menos que um veterano da empresa – que está lá há 30 anos -, lhe disseram que adorariam que ele fosse demitido para que pudessem dividir seu salário entre eles. 

Este homem chegou em casa e assistiu “Madagascar” com a família. Enquanto assistia, se sentiu na pele da zebra, sempre perseguida pelo amigo leão. Depois disso, ele e o outro amigo veterano desenvolveram, com bom humor, uma fórmula teatral, bem didática, para mostrar aos companheiros de serviço a irracionalidade e a deslealdade contidas no desejo deles: levam leões e zebras de pelúcia e simulam perseguições e massacres de mentirinha.

Não sei se a ficção vai fazer surtir o efeito que a opressão e a falta de perspectivas surtiram nos pesquisados de Dejours: a noção de que todos estão iguais na merda e que, para sair dela, é preciso recuperar a noção de coletivo que o individualismo do final do século XX fez a gente esquecer.

Se nem mesmo os colegas de trabalho que desempenham as mesmas funções conseguem perceber os problemas que lhes são comuns, que dirá a sociedade como um todo?

É difícil viver em coletivo, mas a solidariedade não pode se perder em mesquinhezas. Nem de brincadeira. O custo disso é muito alto. Talvez Hobbes fosse um visionário. A guerra de todos contra todos, uma abstração que ele usou como muleta filosófica, ganha traços cada dia mais bem elaborados.

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sindispam

Abril 14, 2009

sou só eu ou todo mundo anda recebendo muito spam de sindicato?

trocaram o “enlarge your penis” por “proteja seus direitos trabalhistas”.

é a precarização do spam!

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bonde da precarização

Abril 8, 2009

Acabei de ler que a FOX vai produzir um reality show sobre o desemprego nos EUA. A ideia é que a cada semana os empregados de um pequeno negócio vão escolher alguém pra sair da empresa.

Minha gente! Será que precisa participar de grupos de leitura de sociologia do trabalho pra entender o tamanho da asneira? Os caras pegam uma ideia boa, que é levar a discussão sobre a recessão e suas consequencias à TV, e transformam ela na justificativa das grandes empresas na hora de demitir: cortar gastos. Será que não era a hora de propor outro tipo de formato? Com os trabalhadores enxugando gastos sem enxugar postos de trabalho, diminuindo as margens de lucros dos acionistas, e buscando saídas mais criativas do que a demissão pra driblar a crise? saídas que não responsabilizassem o trabalhador “menos produtivo” ?

Fico até imaginando o tipo de terrorismo que essas pessoas vão viver. O negócio vai ser trabalhar 12h por dia pra mostrar serviço e abrir mão de todos os direitos possíveis pra ficar com emprego. Depois, quando o Costa-Gravas filma “O Corte”, todo mundo acha que aquela história é um delírio da ficção. Não é. Todo dia morrem alguns em algum massacre nos EUA. Fernando Canzian tratou disso aqui e eu não podia ficar mais feliz de ver que alguém observou o padrão entre os massacres e o desemprego. Esse reality show, nessa conjuntura, é um abuso.