Quem cresceu na década de 1990 se acostumou a chamar um produto falsificado de paraguaio. Era tanto sacoleiro atravessando a ponte da amizade que comprávamos tranqueiras até dizer chega. As lojinhas de R$ 1,99 são o ápice dessa era, e pareciam a feira da UD.
As lojinhas de mercadoria barata e suspeita, hoje, são mais associadas aos migrantes chineses e coreanos do que fazem referência aos paraguaios. Meu pai, quando quer se referir a um lugar barato para se comprar mercadoria, sempre diz: “Vai lá no Xing-Ling”.
Quem vai no Xing-Ling sabe o risco que corre. Aquele I-Pod pode funcionar pelos mesmos dois anos que o original, como bem pode “dar pau” na semana seguinte. Uma amiga minha teve que trocar o dela cinco vezes até que ele funcionasse de verdade. Comprou o I-pobre em um dos Xing-Lings da Paulista. Pelo menos, tinha garantia.
Pois é. Ontem, assistindo a uma reportagem do César Tralli sobre adulteração de combustível para o JN, quase morri de rir. O dono de um posto que havia sido autuado no ano anterior mudou o nome do estabelecimento de “Júpter” para “Xing-Ling”. E a cara de pau do cidadão não parou aí. Como o posto ficava em uma esquina, trocou o nome da rua em que o posto anterior estava registrado. Outra rua, outro nome, outro posto. Detesto a bopemania, mas deve ser mesmo um fanfarrão esse dono do Xing-Ling.
Para os curiosos, o vídeo está aqui.
