Bruno Senna dá R$14 milhões para correr em 2009
Siena propõe 100 mil euros para cada gol de Ronaldo
Madonna e o amante se encontram às escondidas via helicópteros
e a gente aqui, contando os trocados… humpf!

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Nunca fui boa em Matemática. Foi a matéria que me levou a tirar a primeira “nota vermelha” da vida (na minha escola, o “regular” vinha escrito em vermelho mesmo. puro sangue). Depois desse episódio, lastimável na vida de uma pequena nerd, fiquei sempre na berlinda. 7 e 7,5. No máximo um 8,5. O 10 só veio mesmo no ensino médio, quando o conteúdo era de geometria.
Nessa época, estudei como o cão. No terceiro ano, passava umas 2h diárias só fazendo os exercícios extras do sistema COC de ensino (o restante, dedicava à física e à química). Era sangue, suor e lágrimas até que, na Fuvest, acertei 4 das sei lá quantas (mas mais que 10) questões. Tive uma crise de choro no meio da prova, praguejei contra tudo isso que está aí e perdi minha vaga pra segunda fase. Na Unicamp, segunda fase, tirei 1,75 ou 2,75. Lastimável. E nem sei como consegui os pontos. Só o que fiz foi desenhar e montar o raciocíonio (isso funciona mesmo, vestibulando). Passei. Em ciências sociais. Ufa! Nunca mais ía ver esses números na minha frente.
O trauma maior era que eu gostava da coisa. Era desafiante ficar horas em cima de um problema. E era muito gostoso quando eu conseguia resolver sozinha (sem a ajuda do meu pai, fanático por números, nem da minha irmã, que sempre teve com eles uma relação muito saudável). Mas me sentia traída: tanto estudo pra tão pouco resultado. Exorcizei e prometi que agora a minha vida seria de livros com letras não-gregas.
Segundo ano na universidade, a surpresa: a disciplina de estatística era obrigatória aos alunos do meu curso. Óbvio. No primeiro ano, tão teórico que ninguém sabia nem como levantar bibliografia para um trabalho final, nem desconfiávamos o que raios fazia um cientista político e sociólogo. As tabelas e os dados apareceram mais tarde. No mestrado, acreditem. As aulas de estatística foram um suplício. E tudo o que aprendi foi que gráfico de pizza não se faz. Muito menos em 3ª dimensão ou colorido. Os dados têm que ser levados a sério: barras em continuidade, a não ser que se queira mostrar a média ou a mediana. E tudo colorido com um preto, cinza ou branco sem graça.
Um dia, começamos com as aulas de Qui-quadrado. Estourou a greve de 2004 (a da previdência) e o conteúdo parou aí. Foi a primeira e a última vez que vi os classificados como reacionários pela moralidade política do movimento estudantil defenderem não ter aulas durante a greve. Foi um alívio geral. Ainda assim, muita gente só passou nos exames de estatística descritiva graças aos pontos extras que o professor dava para os alunos que encontrassem mais erros de português no livro que ele estava escrevendo. A cada cinqüenta erros, 1/2 ponto a mais na média. Teve quem encontrasse uns 250, só de dar uma analisada na diagonal. O professor ficou conhecido como “a malavada da cegonha”, pela frase homônima encontrada em seu livro no prelo. Se alguém tivesse se dedicado seriamente à revisão, teria levado um 10, com certeza.
Tanta picaretagem junta me salvou do destino cruel de um exame. Mas hoje, o destino me trouxe de volta o teste do Qui-quadrado. E eu vou ter que aprender sozinha e na marra. A matemática me persegue. Espero que, dessa vez, me traga bons resultados. E sem a ajuda da malavada da cegonha.

Se você é do tipo que defende que justiça se faz é com as próprias mãos, acha que a solução para a violência é botar bomba em favela e que bandido tem que ser exterminado, nem perca seu tempo de seguir lendo este texto. O mesmo vale para os fãs do Rota na rua e para os que dizem que a ditadura foi ruim, mas que, pelo menos, controlava a bandidagem.
Do caso Santo André, lamentável e horroroso, restaram dois silêncios. Para mim, perturbadores. O de ninguém ter tratado o caso como violência contra a mulher, e o da evidente tortura do algoz, após sua prisão.
No primeiro caso, o sentimento de posse sobre o corpo foi traduzido em uma patologia causada pelo excesso de amor. Li matérias que relatavam, discretamente, que ela havia apanhado do namorado em outras ocasiões. O próprio pai da menina perdôou, porque tapa de amor não dói. Maria da Penha é que sabe. Eu espero nunca saber.
No segundo, as marcas de espancamento do assassino foram televisionadas e dá até pra fazer a versão antes e depois. Antes de entrar na delegacia e depois. Do espancamento evidente, nada se falou. Apenas se justificou que o estado deformado do rapaz era conseqüência de sua resistência à prisão. E a gente finge que é ingênuo e finge que acredita. Porque seria feio e amoral contestar.
Não se confundam. Não tenho pena nem defendo o criminoso. O que não dá é pra ser conivente com essa prática das polícias. Sequer questionar é contribuir para que a tortura continue como máxima dessa instituição. Com isso, lo siento, repito: não dá pra ser conivente.

De amanhã a sexta-feira rola o seminário “Hegemonia às avessas” promovido pelo Cenedic (Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da FFLCH/USP). Os debates vão acontecer no prédio de Geografia da FFLCH e o tema se refere, tchã-nã-nã-nã: ao sistema de acumulação que causou a crise.
(Notem para a checagem do pessoal da divulgação. Marcio Pochmann vira Márcio Porchmann. Aqui e na página oficial do Doutorado em Ciências Sociais, no qual, por sinal, ele é professor.)
Segue a programação porque link que é bom, não tem, não:
Universidade de São Paulo
Campus Cidade Universitária
Anfiteatro da Geografia
Seminário Internacional do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania – Cenedic
– 21/22/23/24 de Outubro de 2008 –
21 de outubro
17:30: ABERTURA – Gabriel Cohn (USP)
19:00 – O TRABALHO APÓS O DESMANCHE
● Ricardo Antunes (Unicamp)
● Arne L. Kalleberg (Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill)
● Yves Cohen (École de Hautes Études en Sciences Sociales – EHESS)
22 de outubro
10:30 – A CULTURA DA SERVIDÃO FINANCEIRA
● Maria Elisa Cevasco (USP)
● Luiz Martins (USP)
● Pedro Arantes (USP)
14:00 – Mostra: O CINEMA DO DESMANCHE: “Cronicamente inviável” de Sergio Bianchi.
17:00 – Mostra: O CINEMA DO DESMANCHE: “Os 12 trabalhos” de Ricardo Elias.
19:00 – DOMINAÇÃO FINANCEIRA E MERCADO DE TRABALHO NO BRASIL
● José Dari Krein (Unicamp)
● Alexandre de Freitas Barbosa (Cebrap)
● Márcio Porchmann (IPEA-Unicamp)
23 de outubro
10:30 – A AMÉRICA LATINA NA ENCRUZILHADA
● Carlos Eduardo Martins (UFF)
● Ary Minella (UFSC)
● Gilberto Maringoni (Faculdade Casper Líbero)
14:00 –DO APARTHEID AO NEOLIBERALISMO
● Dennis Brutus (Universidade de KwaZulu-Natal – África do Sul)
● Omar Thomaz (Unicamp)
● José Luis Cabaço (Universidade Técnica de Moçambique – UDM)
17:00 – Mostra: O CINEMA DO DESMANCHE: “O invasor” de Beto Brant.
19:00 – O SOCIALISMO APÓS O DESMANCHE
● Alvaro Bianchi (Unicamp)
● Brian Palmer (Trent University)
● Wolfgang Leo Maar (UFSCar)
24 de outubro
10:30 – TEATRO E DESMANCHE URBANO
● Martin Eikmeier (Cia do Latão)
● Eugênio Lima (Núcleo Bartolomeu de Depoimentos; Frente 3 de Fevereiro)
● José Fernando (USP, Teatro de Narradores)
14:00 – A CIDADE E A MISÉRIA DA POLÍTICA
● Cibele Rizek (USP)
● Mariana Fix (USP)
● João Whitaker (USP)
● Carlos Vainer (UFRJ)
17:00 – Mostra: O CINEMA DO DESMANCHE:
Coordenação: Paulo Menezes (USP)
Debate Paulo Arantes (USP) e Paulo Menezes (USP)
19:00 – ENCERRAMENTO
HEGEMONIA ÀS AVESSAS: DECIFRA-ME… OU TE DEVORO!
● Francisco de Oliveira (USP)
● Carlos Nelson Coutinho (UFRJ)
● Paulo Arantes (USP)

A peruada deste ano, com o tema “Meu peru nunca vai preso, com Habeas Corpus sai ileso”, ganhou propaganda no blog do Protógenes.
A “manifestação” acontece na sexta-feira (17). Pra saber onde ir e como chegar, é só seguir as piriguetes.

Porque em Campinas, como todos sabem, a gente só aceita essa medida de grandeza.

Um Instituto da Unicamp está em campanha eleitoral para compor a nova diretoria. Não contrariando sua fama de democrático, organizou um debate entre as duas chapas (uma delas, até ali, estranhamente sem vice). A comunidade, em polvorosa, foi participar.
Houve gritaria, rompimento de amizades e ensaiou-se uma pancadaria. Mas como intelectual é chique, as agressões ficaram por conta de uma saraivada de documentos sobre a cabeça de um candidato, que, supostamente, revelavam o seu passado escuso. Choveram insinuações sobre a conduta pública dos personagens que compunham as duas chapas e houve até fofoca boca-a-boca organizada pelo C.A, no melhor estilo imprensa marrom, pra desmoralizar um dos candidatos. A acusação, claro, era a de que aquele ali não ía ajudar em nada na aliança operário-estudantil, já que em um lapso de Cruela teria praticado assédio moral contra um funcionário (história, claro, controversa e mal contada). Ao final do debate, ninguém soube ao que vieram as chapas (ou a chapa e meia, já que a outra nem vice tinha), mas saíram, todos, cheios de pulgas atrás da orelha (será? será?).
Eleição é um ritual. Só passando pelo crivo do moralômetro é que um candidato sai purificado e cai nas graças do povo. Enquanto isso, haja baixaria…

A melhor aspas da crise até agora é do ex-presidente Felipe González, em “matéria” do Clóvis Rossi:
“Nos cassinos, o que arrisca e perde não reclama que papai-Estado lhe devolva o dinheiro”.
Em tempo: o modelo de intervenção do Estado na economia é keynesiano, não socialista. Certo, pessoal?
