Para constar nas buscas do google, para que futuros pesquisadores não passem pelo vexame que eu acabei de passar: autogestão na antiga Iuogoslávia é equivalente a “samoupravljanje” e não a “samoupravlje”. Estamos entendidos?
Aparentemente, além da guerra que mata gente e verte sangue (é sempre bom usar o verbo no tempo correto) há uma guerra lingüística nas terras do general Tito. Assunto muito complicado, mas a indicação é a de que os bósnios e montenegrinos se valeram da construção de diferenças lingüísticas para justificar sua autonomia nacional. Eles romperam o acordo de unidade lingüística servo-croata (similar ao que o Brasil acaba de assinar com os outros países de língüa portuguesa) para introduzir aí um elemento de unidade nacional: os lingüístas tiraram umas consoantes, botaram outras e záz (como diria o Quico, do Chavez). Daí todo mundo escrever “samoupravlje”, palavra que não existe no dicionário servo-croata, ao invés de “samoupravljanje”.
Para complicar ainda mais: quem me contou essa história foi uma professora sérvia da Universidade de Belgrado (é. pois é).